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"Queria quebrar os meus dentes", reage Lauro Jardim após ameaças de Vorcaro

Segundo investigação da PF, jornalista era alvo de um plano de intimidação por parte de Vorcaro e aliados

Lauro Jardim (Foto: Reprodução/X/@JornalOGlobo)

247 - O jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, citado como potencial vítima na investigação da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, se manifestou após ter sido alvo de um plano de intimidação, conforme revelado em diálogos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro. Ao comentar o conteúdo da decisão judicial que menciona atos preparatórios para um possível ataque, o profissional relatou que a intenção seria agredi-lo fisicamente. “Queria quebrar os meus dentes”, afirmou o jornalista na manhã desta quarta-feira (4), em comentário na Rádio CBN.

A manifestação ocorreu após a divulgação de trechos da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que cita conversas analisadas pela investigação policial da Operação Compliance Zero. Nos diálogos, Vorcaro teria solicitado a um aliado identificado como Mourão que passasse a monitorar o jornalista. “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, disse o empresário. Mourão respondeu: “Vou fazer isto.”

Segundo a decisão judicial, o conjunto das mensagens indica fortes indícios de que teria sido discutida a possibilidade de forjar um assalto ou simular uma situação semelhante para atingir o jornalista. O objetivo, de acordo com o despacho, seria provocar intimidação e constranger profissionais da imprensa que publicassem conteúdos considerados contrários aos interesses do conglomerado financeiro investigado.

O ministro André Mendonça também afirma que as apurações apontam a existência de uma estrutura organizada voltada à vigilância e à pressão contra críticos. Na decisão, ele registra que o “grupo criminoso mantinha estrutura de vigilância e coerção privada”, destinada a monitorar e intimidar pessoas vistas como prejudiciais à organização.

De acordo com o documento judicial, a investigação identificou a atuação de um grupo conhecido como “A Turma”, que teria sido utilizado para obter informações sigilosas de forma ilegal e pressionar adversários. Entre os possíveis alvos citados nas apurações estão concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.

O despacho também menciona a existência de ordens diretas atribuídas a Daniel Vorcaro para a realização de atos de intimidação contra indivíduos considerados prejudiciais aos interesses da organização investigada. As medidas, segundo a decisão, também teriam relação com tentativas de interferir ou dificultar investigações e processos judiciais.

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre colaborou com as autoridades. Em nota, os advogados declararam que ele “sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça".

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