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Rádio Eldorado vai encerrar atividades após 68 anos

Emissora deixará frequência 107.3 FM em maio e demitirá equipe

Rádio Eldorado vai encerrar atividades após 68 anos (Foto: Freepik | Reprodução )

247 - A Rádio Eldorado encerrará suas atividades após quase sete décadas de operação, deixando a frequência 107.3 FM no próximo dia 14 de maio e promovendo o desligamento de sua equipe. A decisão ocorre em meio a transformações no consumo de conteúdo de áudio e a uma reestruturação estratégica do grupo Estado, que busca ampliar sua presença digital.

De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a frequência atualmente ocupada pela emissora será assumida pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação a partir de 15 de maio, após negociação direta com a Fundação Brasil 2000, proprietária do dial.

Em nota oficial, o grupo Estado confirmou o encerramento das atividades e apontou mudanças estruturais no setor como um dos principais fatores. “Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais”, informou a empresa.

A companhia também destacou que o fim da operação está relacionado ao término da parceria com a entidade detentora da frequência. “Essa decisão se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença digital”, afirmou o grupo, citando investimentos recentes em produção audiovisual e conteúdos multiplataforma.

Transição de frequência e impactos financeiros

A saída da Eldorado do dial ocorre após a aceitação de uma proposta apresentada pelo Grupo Bandeirantes à Fundação Brasil 2000. Segundo relatos, o grupo Estado foi informado ainda no ano passado de que deveria desocupar a frequência até maio de 2026.

Embora tenha havido tempo para buscar alternativas, como migração para outro canal, a empresa optou por encerrar a operação. A justificativa apresentada aos funcionários foi de ordem financeira: operar em uma frequência comercial elevaria significativamente os custos, sem garantia de retorno proporcional.

A rádio utilizava um canal classificado como educativo, o que impunha restrições à publicidade, mas também reduzia despesas operacionais. A mudança para um dial comercial implicaria aumento relevante nos custos.

Bastidores e críticas internas

Funcionários ouvidos pela reportagem relataram que não houve busca por alternativas comuns no setor, como parcerias comerciais ou venda de direitos de marca. Também apontaram limitações na estrutura de comercialização da emissora, que não contava com uma equipe dedicada à venda de publicidade em áudio.

Segundo esses relatos, a área comercial era compartilhada com o jornal, voltada prioritariamente ao mercado de mídia impressa, o que restringiria o potencial de receita da rádio.

Marca consolidada e legado cultural

Apesar do encerramento, estudos internos indicavam que a Rádio Eldorado possuía forte reconhecimento de marca, inclusive superior ao do próprio Estadão em determinados segmentos. A emissora era associada à curadoria musical, identidade editorial e diferenciação no dial.

Fundada há 68 anos, a Eldorado construiu trajetória marcada pela programação musical selecionada e pelo jornalismo cultural. Ao longo de sua história, contou com a participação de nomes como Jô Soares, Fernanda Young e Rita Lobo.

Demissões e futuro da marca

A comunicação do encerramento foi feita em reunião com parte da equipe, composta por cerca de 60 profissionais entre funcionários, técnicos e colaboradores. Segundo a apuração, todos serão desligados, incluindo a direção da emissora.

O grupo Estado informou, no entanto, que avalia a possibilidade de reaproveitar parte dos profissionais em outras áreas da empresa. Também afirmou que a marca Eldorado continuará existindo em novos formatos.

“Alguns de seus principais programas, incluindo iniciativas como Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição digital. Esta transição permitirá ao Estadão oferecer aos seus parceiros comerciais formatos mais segmentados, mensuráveis e aderentes aos novos hábitos de consumo de conteúdo”, concluiu a empresa.

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