“Raimundo Rodrigues Pereira foi um guerreiro da democracia”, diz Marcelo Auler
Conselheiro da ABI destaca legado de coragem, empreendedorismo e resistência do fundador do jornal Movimento
247 – A morte do jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos, no Rio de Janeiro, segue mobilizando manifestações de pesar e reconhecimento entre profissionais da imprensa e entidades da sociedade civil. Fundador do jornal Movimento e uma das figuras mais importantes da resistência à ditadura militar, Raimundo foi homenageado pelo repórter investigativo Marcelo Auler, conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Auler destacou o papel histórico e humano do jornalista:
“Raimundo Rodrigues Pereira foi um guerreiro e empreendedor da informação, do jornalismo, mas acima de tudo da Democracia, com ‘D’ maiúsculo”, afirmou.
Pioneirismo e liderança no jornalismo
Na avaliação de Marcelo Auler, Raimundo esteve à frente de projetos fundamentais para a imprensa brasileira. Ele lembrou que o jornalista foi idealizador e primeiro diretor de redação da revista Realidade, uma das publicações mais inovadoras do país no final dos anos 1960.
A trajetória de Raimundo, no entanto, ganhou dimensão histórica durante a ditadura militar. Foi nesse contexto que ele criou o jornal Movimento, transformando-o em uma trincheira contra o autoritarismo.
Movimento e a resistência sob censura
Auler recordou sua convivência pessoal com Raimundo naquele período e destacou o papel do jornal como espaço de enfrentamento ao regime: “Em plena ditadura, nos anos 70, criou o jornal Movimento, uma das tribunas de resistência aos ditadores civis-militares”, disse.
Segundo ele, o jornal teve uma trajetória marcante e persistente: foram 334 edições semanais, a maioria sob censura, mantendo-se em circulação até 1981.
Movimento não era apenas um veículo de informação, mas um símbolo de enfrentamento político e de defesa da liberdade de expressão.
Empreendedorismo editorial e compromisso com o Brasil
Após o fim da ditadura, Raimundo seguiu investindo em projetos jornalísticos voltados à compreensão do país. Auler relembrou a criação do Retratos do Brasil, em 1988, um jornal diário dedicado à análise profunda da realidade nacional, do qual ele próprio participou.
A iniciativa reforça o perfil de Raimundo como um empreendedor da informação — alguém que não apenas escrevia, mas criava estruturas editoriais comprometidas com o debate público qualificado.
Amizade, caráter e legado
Em seu depoimento, Marcelo Auler também ressaltou o lado humano de Raimundo: “Foi mais do que um chefe. Um amigo”, afirmou.
Ele destacou ainda a dimensão da perda: “É uma grande perda para todos os jornalistas, mas também para o Brasil democrático”.
Um nome que marcou a história
A trajetória de Raimundo Rodrigues Pereira se confunde com a história da resistência democrática no Brasil. Sua atuação à frente do jornal Movimento ajudou a manter viva a crítica ao regime autoritário e a formar gerações comprometidas com a liberdade e a justiça social.
Ao defini-lo como “guerreiro da democracia”, Marcelo Auler sintetiza o sentimento de uma geração que viu no jornalismo não apenas uma profissão, mas uma missão.
Raimundo deixa um legado duradouro — de coragem, rigor e compromisso com o Brasil.

