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“Raimundo Rodrigues Pereira foi um guerreiro da democracia”, diz Marcelo Auler

Conselheiro da ABI destaca legado de coragem, empreendedorismo e resistência do fundador do jornal Movimento

Marcelo Auler (Foto: Reprodução/Youtube)

247 – A morte do jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos, no Rio de Janeiro, segue mobilizando manifestações de pesar e reconhecimento entre profissionais da imprensa e entidades da sociedade civil. Fundador do jornal Movimento e uma das figuras mais importantes da resistência à ditadura militar, Raimundo foi homenageado pelo repórter investigativo Marcelo Auler, conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Auler destacou o papel histórico e humano do jornalista:
“Raimundo Rodrigues Pereira foi um guerreiro e empreendedor da informação, do jornalismo, mas acima de tudo da Democracia, com ‘D’ maiúsculo”, afirmou.

Pioneirismo e liderança no jornalismo

Na avaliação de Marcelo Auler, Raimundo esteve à frente de projetos fundamentais para a imprensa brasileira. Ele lembrou que o jornalista foi idealizador e primeiro diretor de redação da revista Realidade, uma das publicações mais inovadoras do país no final dos anos 1960.

A trajetória de Raimundo, no entanto, ganhou dimensão histórica durante a ditadura militar. Foi nesse contexto que ele criou o jornal Movimento, transformando-o em uma trincheira contra o autoritarismo.

Movimento e a resistência sob censura

Auler recordou sua convivência pessoal com Raimundo naquele período e destacou o papel do jornal como espaço de enfrentamento ao regime: “Em plena ditadura, nos anos 70, criou o jornal Movimento, uma das tribunas de resistência aos ditadores civis-militares”, disse.

Segundo ele, o jornal teve uma trajetória marcante e persistente: foram 334 edições semanais, a maioria sob censura, mantendo-se em circulação até 1981.

Movimento não era apenas um veículo de informação, mas um símbolo de enfrentamento político e de defesa da liberdade de expressão.

Empreendedorismo editorial e compromisso com o Brasil

Após o fim da ditadura, Raimundo seguiu investindo em projetos jornalísticos voltados à compreensão do país. Auler relembrou a criação do Retratos do Brasil, em 1988, um jornal diário dedicado à análise profunda da realidade nacional, do qual ele próprio participou.

A iniciativa reforça o perfil de Raimundo como um empreendedor da informação — alguém que não apenas escrevia, mas criava estruturas editoriais comprometidas com o debate público qualificado.

Amizade, caráter e legado

Em seu depoimento, Marcelo Auler também ressaltou o lado humano de Raimundo: “Foi mais do que um chefe. Um amigo”, afirmou.

Ele destacou ainda a dimensão da perda: “É uma grande perda para todos os jornalistas, mas também para o Brasil democrático”.

Um nome que marcou a história

A trajetória de Raimundo Rodrigues Pereira se confunde com a história da resistência democrática no Brasil. Sua atuação à frente do jornal Movimento ajudou a manter viva a crítica ao regime autoritário e a formar gerações comprometidas com a liberdade e a justiça social.

Ao defini-lo como “guerreiro da democracia”, Marcelo Auler sintetiza o sentimento de uma geração que viu no jornalismo não apenas uma profissão, mas uma missão.

Raimundo deixa um legado duradouro — de coragem, rigor e compromisso com o Brasil.

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