Sam Altman diz que “superinteligência” pode chegar em poucos anos e defende agência global para regular a IA
Em cúpula em Nova Déli, CEO da OpenAI afirma que, até o fim de 2028, “mais da capacidade intelectual do mundo” pode estar em data centers
247 – O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que versões iniciais de uma “verdadeira superinteligência” podem surgir em “apenas alguns anos”, ao apresentar a projeção mais agressiva entre os participantes da India AI Impact Summit, realizada em Nova Déli. Ele também advertiu que a humanidade pode precisar de “algo como a AIEA” — a agência internacional que supervisiona a energia nuclear — para coordenar regras globais e responder rapidamente aos desdobramentos da tecnologia.
As declarações foram publicadas pelo jornal Hindustan Times, que acompanhou o discurso de Altman e uma conversa reservada com jornalistas após sua apresentação no evento.
“Apenas alguns anos” até a superinteligência
Em sua palestra principal, Altman afirmou: “Em nossa trajetória atual, acreditamos que podemos estar a apenas alguns anos de versões iniciais de uma verdadeira superinteligência.”
Ele também projetou uma mudança estrutural na distribuição da capacidade cognitiva global: “Até o fim de 2028, mais da capacidade intelectual do mundo pode estar dentro de data centers do que fora deles.”
A afirmação sugere um cenário em que sistemas de inteligência artificial superariam a produção intelectual humana em escala agregada, concentrando processamento e geração de conhecimento em infraestruturas computacionais de larga escala.
Proposta de uma agência global nos moldes da AIEA
Ao abordar os desafios regulatórios, Altman defendeu a criação de um novo mecanismo internacional de governança. “Esperamos que o mundo possa precisar de algo como a AIEA para coordenação internacional da IA, especialmente com a capacidade de responder rapidamente a circunstâncias em mudança.”
A comparação com a agência nuclear das Nações Unidas indica, segundo ele, a necessidade de coordenação multilateral diante de uma tecnologia com potencial transformador e riscos sistêmicos.
Matemática, física e geração de conhecimento original
Em conversa a portas fechadas com jornalistas, Altman citou evidências que, segundo ele, sustentam a tese de que modelos de IA já estariam produzindo resultados inéditos.
Ele relatou um experimento interno: “Fizemos um evento chamado First Proof, e o modelo acertou sete de dez.” Segundo explicou, o sistema resolveu a maioria de problemas matemáticos em nível de pesquisa sem ter acesso prévio a provas publicadas.
Altman também afirmou que alguns modelos produziram resultados inéditos em física teórica, defendendo que esses sistemas começam a gerar conhecimento original, e não apenas recuperar ou recombinar informações existentes.
Questionado sobre críticas feitas por outros líderes do setor presentes ao evento, ele declarou: “Estamos convencendo até alguns dos maiores céticos”, acrescentando em tom de ironia: “Talvez não alguns dos que estavam aqui hoje.”
As observações vieram após comentários de executivos como Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Yann LeCun, da Meta, que levantaram dúvidas sobre a capacidade das arquiteturas atuais alcançarem a chamada inteligência artificial geral (AGI).
Educação, estudantes e “terceirização cognitiva”
Altman também reconheceu preocupações sobre o chamado “cognitive offloading” — a tendência de usuários transferirem parte do esforço de pensar para ferramentas de IA.
“Se não fizermos nenhuma mudança na forma como ensinamos e avaliamos os estudantes, talvez eles façam terceirização cognitiva demais para o ChatGPT”, afirmou.
Ele comparou a preocupação atual aos temores iniciais sobre o uso do Google em sala de aula, argumentando que as expectativas e os métodos de avaliação precisam evoluir junto com as ferramentas tecnológicas.
Segundo o relato, o ChatGPT tem 100 milhões de usuários semanais na Índia, sendo cerca de um terço estudantes.
Trabalho, relações humanas e limites da centralização
Ao tratar dos impactos econômicos da IA, Altman afirmou: “Será muito difícil superar uma GPU em termos de trabalho, de muitas maneiras.”
Ainda assim, ele previu que os seres humanos tenderão a se concentrar em funções interpessoais: “Parece que somos programados para nos importar muito mais com outras pessoas do que com máquinas.”
O executivo descreveu as ferramentas de IA como parte de uma “estrutura externa coletiva” construída em torno da cognição humana, capaz de alterar profundamente as atividades cotidianas.
Um dos pontos centrais de sua intervenção foi o alerta contra a concentração excessiva da tecnologia. “A centralização dessa tecnologia em uma única empresa ou país pode levar à ruína.”
Para ilustrar os riscos políticos envolvidos, apresentou um dilema: “Algumas pessoas querem um totalitarismo eficaz em troca da cura do câncer. Eu não acho que devamos aceitar essa troca, nem acho que precisemos.”
Expansão na Índia e infraestrutura soberana
No âmbito estratégico, a OpenAI anunciou o programa “OpenAI for India”, em parceria com o grupo Tata, para construir infraestrutura soberana de inteligência artificial por meio dos data centers TCS HyperVault, começando com 100 megawatts e podendo escalar para um gigawatt.
A empresa também distribuiu mais de 100 mil licenças do ChatGPT Edu para instituições como o IIM Ahmedabad e o AIIMS Delhi, além de anunciar a abertura de escritórios em Mumbai e Bengaluru, somando-se à presença já existente em Delhi.
As declarações de Altman reforçam o debate global sobre superinteligência, regulação internacional, soberania tecnológica e impactos da inteligência artificial na educação, no trabalho e na organização do poder econômico.


