Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Índia aposta em IA para acelerar desenvolvimento até 2047 e se tornar modelo para Sul Global, diz Modi

Segundo o primeiro-ministro, o governo indiano priorizou desde o início a construção de uma base tecnológica voltada ao interesse público

Narendra Modi (Foto: Agência ANI)

247 - A Índia pretende acelerar sua trajetória rumo ao status de país desenvolvido até 2047 com apoio de tecnologias de inteligência artificial e da ampliação de sua economia digital. A avaliação foi apresentada pelo primeiro-ministro Narendra Modi, que defendeu que o avanço do país nesse campo pode servir como referência para outras nações do Sul Global.

As declarações foram feitas em entrevista à agência ANI, parceira da TV BRICS, na qual Modi detalhou como a Índia estruturou sua infraestrutura digital e quais são as principais apostas para integrar inteligência artificial a serviços públicos, educação, saúde e agricultura.

Segundo o primeiro-ministro, o governo indiano priorizou desde o início a construção de uma base tecnológica voltada ao interesse público. “Primeiramente, construímos a infraestrutura digital como um bem público, e não como uma plataforma privada. A arquitetura aberta e compatível criou uma base comum sobre a qual as inovações puderam se desenvolver”, afirmou.

Modi também ressaltou que a estratégia foi desenhada para atender toda a população, independentemente de barreiras sociais e regionais. “Em segundo lugar, desde o início, nos concentramos na escala e acessibilidade para todos. Nossos sistemas funcionam para 1,4 bilhão de pessoas, independentemente do seu status socioeconômico, nível de alfabetização, região ou idioma”, declarou.

A Índia vem investindo na convergência entre infraestrutura digital pública e inteligência artificial como eixo de modernização econômica. Entre os principais instrumentos citados nesse processo estão o Aadhaar, sistema biométrico de identificação, e o UPI, mecanismo de pagamentos instantâneos que facilita transações digitais em larga escala.

O primeiro-ministro afirmou ainda que o uso adequado da IA pode enfrentar gargalos históricos e ampliar oportunidades de desenvolvimento, sobretudo em regiões menos assistidas. Ele citou como exemplos aplicações voltadas ao diagnóstico precoce de doenças e à criação de cursos personalizados em idiomas locais, destinados especialmente a estudantes de escolas rurais.

Outro setor mencionado foi o da preservação cultural, com o uso de inteligência artificial para acelerar processos de decodificação e estudo de manuscritos antigos. Na agricultura, Modi destacou programas que utilizam IA para fornecer informações diretas aos produtores, com dados sobre qualidade do solo, previsões meteorológicas e orientações sobre melhores práticas de cultivo, permitindo decisões mais precisas no campo.

Ao abordar a dimensão social da tecnologia, Modi sustentou que o objetivo deve ser garantir que a inteligência artificial beneficie toda a população. “Com uma rica experiência na criação de uma infraestrutura digital pública orientada para o ser humano, a Índia possui oportunidades únicas para tornar os benefícios da IA acessíveis a agricultores nas vilas, estudantes em pequenas cidades, pequenos e microempresários, mulheres empreendedoras, jovens tanto nas zonas rurais quanto urbanas da Índia [...] As tecnologias devem servir a cada cidadão, independentemente do local de residência, gênero ou nível de renda”, afirmou.

O primeiro-ministro também reforçou que a prioridade não deve ser implementar ferramentas tecnológicas apenas por tendência, mas garantir impacto real na vida cotidiana. “A questão não é implementar a IA pelo próprio fato de ser IA. É a inteligência artificial que realmente expande as oportunidades dos cidadãos e acelera o caminho da Índia para se tornar um país desenvolvido até 2047, oferecendo um modelo escalável para os países do Sul Global”, declarou.

No mesmo contexto, Modi destacou a realização da India AI Impact Summit 2026, cúpula internacional que ocorrerá entre 16 e 20 de fevereiro de 2026, em Nova Délhi. O evento é apresentado como a primeira iniciativa desse tipo sediada em um país do Sul Global e deve reunir cerca de 250 mil delegados, incluindo 20 chefes de Estado e 60 ministros.

A cúpula terá como lema “Sarvajana Hitaya, Sarvajana Sukhaya”, expressão traduzida como “Bem-estar para todos, felicidade para todos”. Segundo a organização, os três temas centrais do encontro serão pessoas, planeta e progresso, com foco em discutir oportunidades de cooperação internacional e em promover diretrizes para uma implementação segura, responsável e inclusiva da inteligência artificial.

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