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Ameaças de Trump são “delirantes” e não apagam “humilhação” dos EUA, dispara o Comando Militar iraniano

Porta-voz do Irã afirma que declarações feitas pelo chefe da Casa Branca não apagam derrotas dos EUA no Oriente Médio

Destroços de suposta aeronave norte-americana destruída no Irã (Foto: Redes sociais via Reuters)

247 - O Irã afirmou que as ameaças feitas pelo presidente estadunidense, Donald Trump, são “delirantes” e não compensarão a “humilhação” sofrida pelos EUA ao reagir às declarações do chefe da Casa Branca. Segundo pronunciamento exibido pela TV estatal iraniana, autoridades militares rejeitaram o tom adotado por Trump e apontaram que as ameaças não alteram o cenário regional.

“As declarações grosseiras e insolentes, e as ameaças infundadas do presidente americano, tomado por delírios, não conseguirão reparar a vergonha e a humilhação sofridas pelos Estados Unidos na região da Ásia Ocidental”, afirmou o porta-voz.

A tensão aumentou após novas manifestações da liderança iraniana. O líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, declarou em mensagem publicada no Telegram que ações violentas não irão enfraquecer as forças armadas iranianas. “Assassinatos e crimes” não vão deter o país, escreveu ele, ao comentar o momento de luto nacional após a morte do general Majid Khademi, anunciada por Israel e classificada como terrorismo.

Khamenei também acusou Israel de atuar com métodos terroristas e associou os Estados Unidos à ofensiva. “Mais uma vez, o inimigo americano-sionista, que na guerra imposta contra a nação e os valentes combatentes do Irã Islâmico, e em seus planos perversos, sofreu derrotas sucessivas, recorreu à sua arma habitual: o terrorismo”, declarou. Em seguida, reforçou a resistência das forças iranianas: “Contudo, a firme fileira dos combatentes e dos defensores da verdade tornou-se tão sólida e inabalável que nem o terror nem o crime podem abalar”.

As declarações ocorrem após Donald Trump elevar o tom contra o Irã. Questionado sobre possíveis ataques a estruturas civis, ele se referiu aos iranianos de forma agressiva. “Porque eles mataram 45 mil pessoas no último mês. Mais do que isso — pode chegar a 60 mil. Eles mataram manifestantes, são animais. Não estou preocupado com os alertas por alvejar infraestrutura civil (no Irã)”, afirmou.

O presidente também condicionou novas ações militares à reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo ele, os Estados Unidos podem atacar infraestrutura civil caso o Irã não permita a retomada do fluxo de petróleo pela rota até terça-feira (7).

O bloqueio do estreito intensificou o impacto econômico global. A passagem marítima, situada entre o Irã e Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e responde por cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo. Com a interrupção, países da Opep como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait enfrentam dificuldades para escoar produção destinada a mercados da Ásia, Europa e Américas.

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra o Irã. Desde então, mais de 1,3 mil pessoas morreram em território iraniano. Ao incluir vítimas em outros países afetados, o total de mortos se aproxima de 2 mil.

Washington justificou a operação ao afirmar que Teerã avançava no desenvolvimento de armas nucleares. A Organização das Nações Unidas, no entanto, informou que não encontrou evidências que confirmem essas acusações.

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