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Após sequestro de Maduro, Trump reúne petroleiras para discutir retorno das empresas dos EUA à Venezuela

Analistas veem entraves jurídicos e políticos para retomada do setor

Presidente dos EUA, Donald Trump 07/10/2025 (Foto: Evelyn Hockstein/Reuters)

247 - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara reuniões com executivos das principais empresas petrolíferas estadunidenses para discutir a ampliação da produção de petróleo na Venezuela. A iniciativa ocorre após a destituição de Nicolás Maduro e faz parte de uma estratégia de Washington para estimular investimentos no setor energético do país sul-americano, detentor das maiores reservas de petróleo do mundo.

Segundo uma fonte com conhecimento do assunto ouvida pela agência Reuters, os encontros previstos para este final de semana são considerados decisivos para os planos do governo norte-americano de viabilizar o retorno das grandes petroleiras dos Estados Unidos à Venezuela, quase duas décadas depois da nacionalização das operações de energia.

Empresas negam conversas com a Casa Branca

Apesar de declarações recentes de Donald Trump indicando que já teria dialogado com todas as companhias do setor, executivos da Exxon Mobil, da ConocoPhillips e da Chevron afirmam que não houve qualquer reunião com a Casa Branca antes ou depois da destituição de Maduro. Quatro dirigentes do setor, ouvidos pela reportagem, contradisseram a versão apresentada pelo presidente. “Ninguém nessas três empresas conversou com a Casa Branca sobre operar na Venezuela, antes ou depois da destituição, até o momento”, disse uma das fontes.

Petróleo abundante, mas com desafios estruturais

As reuniões previstas são vistas como fundamentais para a tentativa do governo dos EUA de ampliar a produção e as exportações de petróleo venezuelano. O país, membro histórico da Opep, possui as maiores reservas comprovadas do planeta e produz um tipo de óleo compatível com refinarias especialmente projetadas nos Estados Unidos. Analistas, no entanto, alertam que alcançar esse objetivo exigirá anos de trabalho e investimentos que podem chegar a bilhões de dólares.

Ainda não está definido quais executivos participarão dos encontros nem se as conversas ocorrerão de forma coletiva ou individual. Um executivo do setor explicou que há preocupação com regras antitruste, que limitam discussões conjuntas entre concorrentes sobre planos de investimento, cronogramas e níveis de produção.

Casa Branca aposta em grandes investimentos

Procurada, a Casa Branca não comentou diretamente a agenda das reuniões, mas afirmou acreditar no interesse das empresas estadunidenses. “Todas as nossas companhias petrolíferas estão prontas e dispostas a fazer grandes investimentos na Venezuela para reconstruir sua infraestrutura petrolífera, destruída pelo regime ilegítimo de Maduro”, declarou a porta-voz do governo, Taylor Rogers.

Operação militar e impacto no mercado

No sábado, forças dos Estados Unidos realizaram uma operação relâmpago em Caracas, sequestraram o presidente Nicolás Maduro durante a madrugada e o levaram aos EUA para responder a acusações de narcoterrorismo. Horas depois, Donald Trump declarou esperar que as maiores petroleiras do país invistam bilhões de dólares para impulsionar a produção venezuelana.

Analistas do setor, contudo, avaliam que a falta de infraestrutura, a incerteza política, o ambiente jurídico e a política de longo prazo dos Estados Unidos em relação à Venezuela representam obstáculos significativos aos planos anunciados.

Histórico das petroleiras na Venezuela

Atualmente, a Chevron é a única grande companhia estadunidense que mantém operações ativas em campos de petróleo venezuelanos. A Exxon Mobil e a ConocoPhillips tiveram presença relevante no país antes de seus projetos serem nacionalizados durante o governo de Hugo Chávez. “Não acho que você verá outra empresa além da Chevron, que já está lá, se comprometer a desenvolver esse recurso”, afirmou um executivo do setor, que preferiu não se identificar.

A ConocoPhillips busca bilhões de dólares em compensações pela estatização de três projetos no período Chávez, enquanto a Exxon Mobil enfrentou longos processos de arbitragem após deixar a Venezuela em 2007. A Chevron, por sua vez, exporta cerca de 150 mil barris por dia de petróleo venezuelano para a Costa do Golfo dos Estados Unidos e tem adotado uma postura cautelosa para manter sua presença no país.

No mercado financeiro, a ofensiva de Washington gerou reação positiva. Investidores apostam que a mudança política permitirá maior acesso das empresas norte-americanas às reservas venezuelanas, impulsionando o índice de energia do S&P 500 ao maior nível desde março de 2025, com alta das ações da Exxon Mobil e da Chevron.

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