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Apuração parcial coloca oposição à frente em eleição na Hungria

Resultados parciais mostram Tisza à frente e indicam possível mudança após 16 anos de governo

Pessoas reagem após o anúncio dos resultados parciais da eleição parlamentar em Budapeste, Hungria, em 12 de abril de 2026. (Foto: REUTERS/Marton Monus)

247 - Os primeiros resultados da eleição parlamentar realizada neste domingo (12) na Hungria indicam vantagem significativa do partido de oposição Tisza, liderado por Peter Magyar, em um cenário que pode encerrar os 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán. A apuração parcial sugere uma reconfiguração política com possíveis impactos nas relações do país com a União Europeia e no contexto geopolítico da guerra na Ucrânia.

As informações são da agência Reuters, que acompanhou a votação e a divulgação dos resultados preliminares. Segundo os dados iniciais, com 29% dos votos apurados, o Tisza aparece à frente, projetando a conquista de 132 cadeiras no Parlamento, que conta com 199 assentos.

Em coletiva de imprensa realizada em Budapeste, Peter Magyar afirmou: "Estamos otimistas", enquanto apoiadores se reuniam nas ruas próximas ao centro de apuração, reagindo à divulgação dos primeiros números.

A eleição registrou participação elevada, considerada próxima de recorde. Dados divulgados antes do fechamento das urnas indicavam que 77,8% do eleitorado havia votado, acima dos 67,8% registrados quatro anos antes. Imagens da televisão estatal mostraram filas em diversos locais de votação na capital húngara.

Caso a tendência seja confirmada, a derrota de Orbán pode ter consequências relevantes no cenário internacional. A mudança de governo tende a alterar a posição da Hungria dentro da União Europeia, onde o atual premiê tem atuado como um dos principais opositores a decisões do bloco. Entre os temas afetados estaria o desbloqueio de um pacote de 90 bilhões de euros destinado à Ucrânia, que vinha sendo barrado por Budapeste.

Além disso, uma eventual vitória da oposição poderia destravar recursos europeus retidos devido a críticas de Bruxelas sobre o enfraquecimento de instituições democráticas no país. No plano geopolítico, a saída de Orbán reduziria a influência de um aliado próximo do presidente russo Vladimir Putin dentro da UE.

No cenário interno, o partido Tisza defende reformas voltadas ao combate à corrupção e à recuperação da independência do Judiciário e de outras instituições. No entanto, a implementação dessas mudanças dependerá de uma maioria qualificada no Parlamento.

O contexto econômico também teve peso na disputa. Após anos de crescimento mais lento, aumento do custo de vida e críticas sobre o acúmulo de riqueza por empresários ligados ao governo, parte do eleitorado demonstrou insatisfação.

Entre os votantes, as opiniões refletiram a polarização. O eleitor Mihaly Bacsi, de 27 anos, afirmou: "Precisamos de uma melhora no clima público, há muita tensão em várias áreas e o atual governo apenas alimenta esses sentimentos". Já outra eleitora, identificada como Zsuzsa, expressou preocupação com mudanças: "Eu realmente gostaria que todos os resultados alcançados nos últimos anos permanecessem — e tenho muito medo da guerra", em referência ao conflito na Ucrânia.

Durante a campanha, Orbán tentou enquadrar a eleição como uma escolha entre “guerra e paz”, alegando que a vitória da oposição poderia envolver o país no conflito, acusação rejeitada por Magyar.

A apuração completa deve ser concluída ainda neste domingo.

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