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Assassinato de Khamenei por EUA e Israel expõe abalo no núcleo do poder iraniano

Líder supremo desde 1989, aiatolá concentrou decisões estratégicas, reprimiu protestos e sustentou confronto permanente com Estados Unidos e Israel

Líder supremo do Irã aiatolá Ali Khamenei participa de reunião com estudantes em Teerã 3/11/2025 Divulgação via REUTERS (Foto: Divulgação via REUTERS)

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morreu em meio a um conflito marcado por ataques aéreos conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos. Um alto funcionário israelense afirmou à agência Reuters que o corpo de Khamenei teria sido encontrado após os bombardeios, enquanto autoridades iranianas ainda não haviam confirmado oficialmente a morte.

As informações foram publicadas pela Reuters, que traçou um amplo perfil de Khamenei, descrevendo-o como um adversário histórico dos Estados Unidos e de Israel e como a principal autoridade política e religiosa do Irã desde 1989.

Um possível terremoto político em Teerã

Caso seja confirmada, a morte de Khamenei representaria um golpe profundo na estrutura da República Islâmica. Segundo a Reuters, nenhuma grande decisão estratégica — especialmente aquelas relacionadas aos Estados Unidos — avançava sem sua aprovação explícita.

Imagens de satélite mostraram danos significativos ao complexo do líder em Teerã, apontado como um dos primeiros alvos da ofensiva aérea. Ainda assim, até o momento citado pela agência, o governo iraniano não havia confirmado oficialmente o falecimento.

Pressão externa e crise interna

De acordo com a Reuters, mesmo antes dos ataques, Khamenei enfrentava o momento mais delicado de seus 36 anos no poder. Ele buscava conduzir negociações com Washington sobre o programa nuclear iraniano enquanto lidava com crescente pressão militar e diplomática.

A agência relata que, “já neste ano”, o líder teria ordenado a repressão mais letal desde a Revolução Islâmica de 1979. Diante de protestos nacionais iniciados por causa da alta de preços, ele afirmou que os manifestantes “devem ser colocados em seu devido lugar”, antes de forças de segurança abrirem fogo contra pessoas que gritavam “morte ao ditador!”.

No ano anterior, ainda segundo a Reuters, Khamenei teria sido forçado a se esconder durante 12 dias de bombardeios realizados inicialmente por Israel e depois pelos Estados Unidos, ataques que teriam matado aliados próximos e comandantes da Guarda Revolucionária e atingido instalações nucleares e de mísseis consideradas estratégicas.

O efeito dominó da guerra regional

A Reuters contextualiza a escalada dentro de um cenário regional mais amplo após o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. Segundo o texto, Israel passou a atingir outros aliados de Teerã na região.

Com o Hezbollah enfraquecido no Líbano e Bashar al-Assad derrubado na Síria, o alcance regional de Khamenei teria sido reduzido. Paralelamente, os Estados Unidos passaram a exigir que o Irã abrisse mão de seus mísseis balísticos, descritos como sua principal ferramenta estratégica remanescente.

Khamenei, segundo a Reuters, recusou-se a discutir a renúncia a esse arsenal, visto por Teerã como elemento essencial de dissuasão contra ataques israelenses.

Estrutura de poder e controle político

O perfil da agência descreve o sistema iraniano como uma combinação de governo clerical com mecanismos eleitorais limitados, no qual autoridades eleitas administram o cotidiano, mas o líder supremo detém a palavra final sobre temas centrais.

No início de seu mandato, Khamenei era frequentemente considerado fraco e improvável sucessor do aiatolá Ruhollah Khomeini. Sem ter alcançado o mais alto grau clerical quando foi nomeado, enfrentou dificuldades para exercer autoridade religiosa plena.

Segundo a Reuters, foi por meio da consolidação de um aparato de segurança leal que ele conseguiu impor sua liderança e neutralizar rivais.

Relação conflituosa com Washington

A reportagem destaca que Khamenei sempre demonstrou profunda desconfiança em relação ao Ocidente, especialmente aos Estados Unidos, frequentemente acusando Washington de tentar derrubá-lo.

Após protestos em janeiro, ele declarou: “Consideramos o presidente dos Estados Unidos um criminoso pelas vítimas, pelos danos e pelas calúnias que infligiu à nação iraniana.”

Ao mesmo tempo, a Reuters aponta que ele demonstrava pragmatismo quando avaliava que a sobrevivência do regime estava em risco. O conceito de “flexibilidade heroica”, mencionado por ele em 2013, permitiria concessões táticas para preservar objetivos estratégicos.

O acordo nuclear e o rompimento

Um exemplo citado pela agência foi o apoio cauteloso de Khamenei ao acordo nuclear de 2015 com seis potências mundiais, considerado necessário para aliviar sanções e estabilizar a economia.

Trump retirou os Estados Unidos do acordo em 2018, durante seu primeiro mandato, e restabeleceu sanções severas. Em resposta, o Irã passou a descumprir gradualmente as restrições ao seu programa nuclear.

Repressão e forças de segurança

Nos momentos de maior pressão interna, Khamenei recorreu repetidamente ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e à Basij, força paramilitar composta por centenas de milhares de voluntários, para conter protestos.

Segundo a Reuters, essas forças reprimiram manifestações em 2009 após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em meio a acusações de fraude. Em 2022, voltaram a atuar contra protestos desencadeados pela morte sob custódia de Mahsa Amini, jovem iraniana curda. Também foram mobilizadas na rodada mais recente de manifestações mencionada pela agência.

Uma trajetória moldada por guerra e sobrevivência

A Reuters relata que Khamenei sobreviveu a uma tentativa de assassinato em junho de 1981, quando uma bomba escondida em um gravador explodiu e paralisou seu braço direito. Sua biografia oficial afirma que ele sofreu tortura severa em 1963, durante prisão por atividade política sob o regime do xá.

Após a Revolução Islâmica, aproximou-se da Guarda Revolucionária durante a guerra Irã-Iraque (1980–1988), conflito que, segundo a agência, matou cerca de um milhão de pessoas dos dois lados. Ele se tornou presidente com apoio de Khomeini e foi escolhido como sucessor após a morte do fundador da República Islâmica, apesar de não possuir o mesmo carisma ou credenciais religiosas equivalentes.

A Reuters cita o analista Karim Sadjadpour, do Carnegie Endowment for International Peace, que classificou sua ascensão como um “acidente da história”, transformando-o de “um presidente fraco em um líder supremo inicialmente fraco e depois em um dos cinco iranianos mais poderosos dos últimos 100 anos”.

Incerteza e impacto geopolítico

A declaração de Trump sobre a morte de Khamenei eleva o conflito a um novo patamar e projeta incertezas sobre a sucessão e a estabilidade do regime iraniano. Enquanto não houver confirmação oficial por parte de Teerã, o episódio permanece baseado nas declarações divulgadas e nas informações citadas pela Reuters.

Ainda assim, a eventual ausência do líder que concentrou poder por mais de três décadas pode redefinir o equilíbrio interno do Irã e influenciar diretamente as disputas envolvendo o programa nuclear, os mísseis balísticos e a posição estratégica do país no Oriente Médio.

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