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Ataque dos EUA ao Irã amplia tensão, mas negociações com o Irã prosseguem em Doha

Ação dos EUA perto do Estreito de Ormuz viola cessar-fogo no 88º dia da guerra contra o Irã

Navios e embarcações no Estreito de Ormuz, em Musandam, Omã, em 22 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Stringer)
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247 - As forças dos Estados Unidos realizaram ataques no sul do Irã, perto do Estreito de Ormuz, enquanto a diplomacia entre EUA e Irã segue em Doha, no Catar, em meio à tentativa de destravar um acordo para encerrar a guerra.

Segundo a Al Jazeera, os ataques foram descritos por autoridades americanas como operações de “autodefesa” e ocorreram no 88º dia da guerra, ao mesmo tempo em que uma delegação iraniana de alto nível viajou ao Catar para discutir os principais pontos pendentes de um possível entendimento.

Explosões foram relatadas anteriormente pela mídia iraniana em Bandar Abbas, cidade portuária no sul do Irã considerada estratégica por sua proximidade com o Estreito de Ormuz. A região é uma das passagens marítimas mais sensíveis do mundo, por onde circula uma parcela expressiva do comércio global de petróleo e gás.

De acordo com relatos atribuídos a autoridades americanas, os ataques teriam atingido locais de lançamento de mísseis e navios minadores no sul do território iraniano. Posteriormente, a mídia estatal iraniana informou que a situação em Bandar Abbas estava sob controle, apesar da ofensiva.

Internet é restabelecida após bloqueio quase total.

No front interno, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian ordenou o restabelecimento do acesso à internet após um bloqueio quase total que durou mais de 87 dias em todo o país. As autoridades haviam justificado a interrupção durante a guerra com base em preocupações de segurança e ameaças cibernéticas.

Em Teerã, autoridades municipais afirmaram que 97% dos edifícios que sofreram danos leves durante ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã já foram reparados. A expectativa, segundo essas autoridades, é que os reparos restantes sejam concluídos até a próxima semana.

O ex-diplomata americano Adam Clements disse à Al Jazeera que os ataques dos EUA em Bandar Abbas provavelmente tiveram como objetivo monitorar as capacidades marítimas iranianas ao redor do Estreito de Ormuz. Segundo ele, a ofensiva dificilmente prejudicaria as negociações em curso com Teerã.

Clements também afirmou que qualquer tentativa do Irã de lançar minas marítimas na hidrovia provavelmente provocaria uma “resposta letal” de Washington.

Negociações no Catar seguem sob impasse

Entre os integrantes da delegação iraniana em Doha, estão o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, o presidente do Parlamento e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que houve progresso nas conversas, mas advertiu que ainda existem divergências relevantes. Ele ressaltou que os avanços não significam que um acordo seja “iminente”.

O Catar, que participa dos esforços regionais de desescalada, rejeitou rumores de que o Irã estaria recebendo ofertas de pagamento para garantir um acordo que encerrasse a guerra. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Majed al-Ansari, disse que essas alegações buscam sabotar as negociações e enfraquecer iniciativas diplomáticas na região.

Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter manifestado repetidamente otimismo sobre a possibilidade de um acordo e declarado haver “boas chances” de consenso, autoridades e analistas avaliam que os principais entraves ainda não foram superados. Relatos mencionam que o acordo estaria “95% concluído”, mas os pontos restantes seguem difíceis de resolver.

Rubio diz que conversas continuam

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que as negociações com o Irã no Catar prosseguem, mesmo após os ataques dos EUA no sul do país. Ele disse que as discussões sobre a “linguagem específica” de um projeto de acordo podem levar “alguns dias”.

Rubio também afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá aberto “de uma forma ou de outra”, em meio à preocupação internacional com a segurança da rota marítima estratégica.

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