Ataques de Israel atingem Gaza e Cisjordânia; Trump e Netanyahu se reúnem em Washington
Mudanças nas regras de registro de terras na Cisjordânia ampliam temores de anexação
247 - A escalada da ofensiva israelense contra territórios palestinos seguiu nesta quarta-feira (11), com novos ataques registrados na Faixa de Gaza e ações militares intensificadas na Cisjordânia ocupada. Entre os episódios relatados estão bombardeios e disparos no sul de Gaza, além de agressões atribuídas a colonos israelenses no Vale do Jordão, elevando o clima de tensão na região.
As informações foram publicadas em cobertura ao vivo da rede Al Jazeera, que também destacou o avanço de medidas do governo de Israel para alterar regras de registro de terras na Cisjordânia, o que tem gerado temor entre palestinos e condenação internacional por abrir caminho para uma anexação do território.
Segundo relatos de fontes locais citadas pela agência palestina Wafa, dois palestinos ficaram feridos após serem atacados com spray de pimenta por colonos israelenses no norte do Vale do Jordão. O caso ocorreu na localidade de Khirbet Samra, onde os colonos teriam surpreendido as vítimas e realizado a agressão.
Criança palestina é baleada no sul de Gaza
Ainda de acordo com a Wafa, uma criança palestina foi ferida por disparos israelenses no sul da Faixa de Gaza. Fontes médicas informaram que o menino foi atingido na região de al-Batn al-Samin, ao sul de Khan Younis.
Além disso, a cobertura relata que ataques aéreos e bombardeios de artilharia atingiram áreas localizadas a leste de Khan Younis, em zonas descritas como sob ocupação.
Novas regras de terras aumentam temor de anexação da Cisjordânia
A Al Jazeera também informou que o governo israelense decidiu mudar normas relativas ao registro de terras na Cisjordânia ocupada, facilitando a compra de propriedades por judeus israelenses no território. A medida, anunciada pelo gabinete israelense no domingo, acendeu o alerta entre palestinos, que veem na decisão um passo concreto para consolidar a anexação.
Além da flexibilização para aquisição de terras, o governo de Israel determinou que os registros fundiários sejam abertos ao público, ampliando a capacidade de reivindicação e formalização de posse por colonos e instituições israelenses.
ONU condena lei de assentamentos
A Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) condenou a nova lei israelense relacionada a assentamentos, classificando a iniciativa como um passo que “mina ainda mais o futuro dos palestinos”. A agência afirmou ainda que a medida representa uma “receita para aumento do controle, desesperança e violência” e reforçou que o avanço dos assentamentos contraria o direito internacional.
A movimentação também foi alvo de condenação diplomática. Segundo a cobertura, mais de duas dezenas de embaixadores ligados à Liga Árabe e à Organização para a Cooperação Islâmica declararam que a nova legislação israelense “equivaleria efetivamente a uma anexação de facto da Cisjordânia”.
Prisões e repressão em Hebron e arredores de Jerusalém
As forças israelenses mantiveram operações em diferentes pontos da Cisjordânia ocupada. Entre os episódios relatados está a prisão de uma mulher palestina em Anata, região ao nordeste de Jerusalém Oriental ocupada.
A Al Jazeera também apontou que um adolescente palestino de 14 anos foi detido durante uma incursão em Hebron na noite anterior. A cidade e suas áreas vizinhas seguem sendo alvo de repetidas ações militares, com registros de sufocamento de palestinos após o uso de gás lacrimogêneo durante operações israelenses.
Restrições previstas para fiéis durante o Ramadã
Outro ponto de preocupação envolve o acesso à Mesquita de Al-Aqsa durante o mês do Ramadã. A Governadoria de Jerusalém advertiu que autoridades israelenses planejam impor restrições a fiéis provenientes de regiões da Cisjordânia que desejam realizar orações no local sagrado, um dos principais símbolos religiosos e políticos do povo palestino.
Canadá condena expansão do controle israelense
No cenário internacional, o Ministério das Relações Exteriores do Canadá declarou que “condena fortemente” a decisão de Israel de expandir seu controle sobre a Cisjordânia ocupada, somando-se a outras manifestações críticas diante do avanço de medidas vistas como ilegais sob normas internacionais.
Pacientes retornam a Gaza e relatam humilhações em travessia
A cobertura também registrou que pelo menos 41 pacientes e feridos retornaram à Faixa de Gaza por meio da passagem terrestre de Rafah nesta terça-feira. Trata-se do sétimo grupo a atravessar desde o início do cessar-fogo.
Segundo o relato, os retornados foram levados ao Hospital Nasser, em Khan Younis, e afirmaram ter sido submetidos a buscas humilhantes e interrogatórios por militares israelenses, o que teria atrasado sua chegada ao território palestino.
Trump e Netanyahu se encontram na Casa Branca
Em meio à escalada de ataques e tensões diplomáticas, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu deve se reunir ainda nesta quarta-feira hoje com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na Casa Branca. Segundo a Al Jazeera, os dois devem discutir negociações nucleares com o Irã e a situação na Faixa de Gaza.
A visita de Netanyahu estava inicialmente prevista para ocorrer em 19 de fevereiro, durante uma reunião do chamado “Conselho da Paz para Gaza”, mas, conforme a cobertura, o encontro foi antecipado em meio ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Antes do compromisso com Trump, Netanyahu se reuniu com Steve Witkoff e Jared Kushner, segundo a Al Jazeera.
Investigação aponta uso de munições termobáricas fornecidas pelos EUA
A Al Jazeera também destacou uma investigação que afirma que munições térmicas e termobáricas fornecidas pelos Estados Unidos e utilizadas pelo Exército israelense teriam “evaporado” 2.842 palestinos desde o início da guerra em outubro de 2023, deixando “sem restos além de respingos de sangue ou pequenos fragmentos de carne”.
A ofensiva militar segue acompanhada de novas denúncias e alertas internacionais, enquanto a população palestina enfrenta ataques, prisões e medidas que, segundo organizações e diplomatas, podem consolidar mudanças irreversíveis no mapa político e territorial da Cisjordânia ocupada e da Faixa de Gaza.


