Netanyahu deve se reunir com Trump nos EUA para discutir negociações com o Irã
Encontro em Washington deve abordar enriquecimento de urânio, mísseis balísticos e tensões no Oriente Médio
247 - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve se encontrar na próxima quarta-feira, em Washington, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar das negociações em andamento com o Irã, em meio ao aumento das tensões envolvendo o programa nuclear iraniano e questões de segurança regional. As informações são da Reuters.
Na sexta-feira, representantes do Irã e dos Estados Unidos realizaram conversas indiretas na capital de Omã, Mascate. Segundo autoridades dos dois países, novas rodadas devem ocorrer em breve. Um diplomata regional informado sobre as discussões relatou à Reuters que Teerã insistiu em seu “direito de enriquecer urânio” durante as negociações e que a questão do arsenal de mísseis iraniano não foi colocada na mesa.
O Irã já havia sinalizado anteriormente que não pretende discutir seus mísseis, considerados um dos maiores arsenais do Oriente Médio, e reforçou que busca reconhecimento formal de seu direito de enriquecer urânio.
Netanyahu quer incluir restrições a mísseis nas negociações
Em nota, o gabinete do premiê israelense afirmou que Netanyahu defende que qualquer acordo com Teerã vá além da questão nuclear e imponha limitações ao poder militar do país persa.
"O primeiro-ministro acredita que quaisquer negociações devem incluir limitações sobre mísseis balísticos e a interrupção do apoio ao eixo iraniano", declarou o gabinete de Netanyahu.
O encontro previsto para quarta-feira será o sétimo entre Netanyahu e Trump desde que o presidente dos Estados Unidos retornou ao cargo em janeiro do ano passado. Inicialmente, uma reunião entre ambos era esperada para 18 de fevereiro, mas o compromisso foi antecipado em meio à retomada do engajamento diplomático com o Irã. Um porta-voz do premiê israelense não comentou de imediato os motivos da mudança.
Histórico recente inclui ação militar e retaliação iraniana
Em junho do ano passado, os Estados Unidos se juntaram a uma campanha militar israelense contra instalações nucleares do Irã, incluindo estruturas ligadas ao enriquecimento de urânio. O episódio foi descrito como a ação militar americana mais direta já realizada contra a República Islâmica.
Após os ataques, o Irã respondeu lançando um ataque com mísseis contra uma base militar dos Estados Unidos no Catar.
Desde então, Washington e Tel Aviv têm reiterado advertências de que novas ações militares poderão ocorrer caso Teerã avance em seu programa de enriquecimento e em seu desenvolvimento de mísseis balísticos.
Temor de escalada e risco para região produtora de petróleo
Potências mundiais e países da região acompanham com preocupação o desenrolar das conversas, temendo que um colapso das negociações provoque um novo conflito direto entre Estados Unidos e Irã, com potencial de se espalhar para todo o Oriente Médio — especialmente para áreas estratégicas de produção de petróleo.
O Irã, por sua vez, tem prometido responder com dureza a qualquer ataque e advertiu países árabes vizinhos do Golfo que abrigam bases militares americanas de que poderão se tornar alvos caso participem de uma ofensiva.
O encontro entre Netanyahu e Trump, portanto, ocorre em um momento decisivo, com negociações diplomáticas em curso, ameaças militares ainda presentes e crescente pressão internacional para evitar uma nova escalada de guerra na região.


