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Israel reabre passagem entre Gaza e Egito com restrições a palestinos

Reabertura de Rafah permite entrada e saída limitada de civis, enquanto enclave segue sob controle militar e ataques continuam

Passagem de Rafah (Foto: Reuters)

247 - Israel reabriu nesta segunda-feira (2) a passagem de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, permitindo que um número reduzido de palestinos atravesse o ponto a pé. A medida possibilita tanto a saída de moradores do enclave quanto o retorno de alguns palestinos que haviam conseguido deixar a região nos primeiros meses do genocídio, marcando a primeira reativação parcial da principal rota de acesso de Gaza ao exterior desde o início do conflito, relata a agência Reuters.

A passagem, localizada em área sob controle israelense, é praticamente a única via de entrada e saída para os mais de 2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza. Antes das ações de Israel, o entorno abrigava uma cidade com cerca de 250 mil moradores, que acabou completamente destruída e despovoada. O local permaneceu fechado durante a maior parte do conflito e sua reabertura atende a uma das principais exigências da fase inicial do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, firmado em outubro.

Segundo uma fonte palestina ouvida pela Reuters, cerca de 50 palestinos devem entrar em Gaza no primeiro dia de funcionamento do posto, passando por rigorosas verificações de segurança realizadas por Israel. Um número semelhante recebeu autorização para deixar o enclave. Entre os que retornam estão palestinos que fazem parte do grupo estimado em mais de 100 mil pessoas que conseguiram escapar de Gaza.

Israel assumiu o controle da passagem em maio de 2024, aproximadamente nove meses após o início da ofensiva militar em Gaza. Os combates foram interrompidos de forma instável após o acordo de cessar-fogo mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reabertura de Rafah integrou a primeira etapa do plano apresentado por Trump para encerrar os confrontos entre Israel e militantes do Hamas.

Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos anunciou o início da segunda fase do acordo, voltada à negociação sobre a futura governança da Faixa de Gaza e os esforços de reconstrução do território devastado. Apesar disso, a situação no enclave segue marcada por violência. Mesmo com a reativação da passagem, ataques israelenses mataram ao menos quatro palestinos nesta segunda-feira, incluindo uma criança de três anos, em episódios distintos no norte e no sul da Faixa. As Forças Armadas de Israel não comentaram imediatamente os casos.

A reabertura parcial de Rafah não alterou a política israelense de impedir a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza. Profissionais da imprensa internacional seguem proibidos de acessar o território. As reportagens produzidas para veículos estrangeiros, como a própria Reuters, dependem exclusivamente de jornalistas locais, centenas dos quais morreram ao longo do conflito.

A Suprema Corte de Israel analisa uma ação apresentada pela Associação de Imprensa Estrangeira (FPA), que pede autorização para a entrada de correspondentes internacionais em Gaza. O governo israelense sustenta que a presença desses profissionais poderia representar riscos às tropas em operação. A FPA, por sua vez, argumenta que a população mundial está sendo privada de uma fonte essencial de informação independente.

Durante a primeira fase do cessar-fogo, os combates em larga escala foram suspensos, reféns mantidos em Gaza foram libertados em troca de milhares de palestinos presos por Israel, e houve a promessa de ampliação da ajuda humanitária. Ainda assim, as forças israelenses mantêm o controle de mais de 53% do território da Faixa de Gaza, onde emitiram ordens de evacuação e destruíram grande parte das estruturas remanescentes. Atualmente, os moradores estão confinados a uma estreita faixa litorânea, vivendo majoritariamente em barracas improvisadas ou em edifícios danificados.

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