Agência da ONU alerta para escalada de violência israelense na Cisjordânia ocupada
Chefe da UNRWA denuncia “guerra silenciosa”, com mortes, deslocamentos forçados e destruição de comunidades palestinas desde 2023
247 - A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) alertou para a intensificação da violência israelense na Cisjordânia ocupada, classificando o cenário como uma “guerra silenciosa” marcada por níveis recordes de mortes, deslocamentos forçados e destruição de comunidades palestinas desde outubro de 2023.
O alerta foi feito pelo chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, em declaração publicada no domingo em sua conta na rede social X, conforme noticiado pela emissora HispanTV. Segundo ele, a escalada da violência na Cisjordânia permanece pouco documentada, apesar de sua gravidade e alcance.
“A guerra silenciosa pouco documentada: níveis recordes de violência na Cisjordânia ocupada desde outubro de 2023. Mais de 1.000 palestinos foram mortos, quase um quarto deles crianças”, afirmou Lazzarini. Ele ressaltou que se trata de uma situação sem precedentes, envolvendo assassinatos, demolições de casas, deslocamentos forçados e a expansão de assentamentos conduzida por forças israelenses e colonos.
De acordo com o dirigente da UNRWA, comunidades palestinas enfrentam intimidação diária e destruição sistemática de seus meios de subsistência, em um contexto de impunidade. “Os ataques perpetrados por colonos israelenses continuam sem cessar; as comunidades palestinas são constantemente intimidadas, desarraigadas e veem seus meios de subsistência destruídos”, declarou.
Lazzarini também chamou atenção para o impacto prolongado da chamada Operação Muralha de Ferro, conduzida por Israel. “Dezenas de milhares de pessoas continuam deslocadas um ano após o início da Operação Muralha de Ferro de Israel, o maior deslocamento registrado desde 1967. Suas casas estão sendo gradualmente demolidas para impedir seu retorno”, afirmou.
Segundo ele, enquanto a atenção internacional segue concentrada na Faixa de Gaza, as violações ao direito internacional humanitário na Cisjordânia tornaram-se cada vez mais frequentes. “É preciso impedir isso antes que seja tarde demais”, alertou.
Dados citados no balanço apontam que seis palestinos ficaram feridos recentemente em ataques de colonos israelenses na Cisjordânia. As autoridades palestinas estimam que, até o fim de 2025, mais de 1.102 palestinos foram mortos e 9.034 ficaram feridos no território, em meio à intensificação das operações militares e dos ataques de colonos.
O relatório também menciona a morte de um palestino de 14 anos na Cisjordânia ocupada e destaca que a violência no território se intensificou paralelamente à guerra em curso na Faixa de Gaza, iniciada em 7 de outubro de 2023. Desde então, segundo os dados citados, mais de 71.795 palestinos foram mortos em Gaza pelo regime de Tel Aviv.
Ainda de acordo com as informações divulgadas, ao menos 12 palestinos, incluindo seis crianças, foram mortos por Israel apesar do cessar-fogo em vigor em Gaza. Desde outubro de 2023, pelo menos 47 comunidades palestinas foram deslocadas à força na Cisjordânia, em razão da combinação de violência de colonos, restrições de acesso e ações descritas como terror psicológico.
A UNRWA estima que cerca de 32 mil palestinos tenham sido deslocados à força na Cisjordânia ocupada desde o início da intensificação da ofensiva israelense.


