Relatório da ONU condena práticas de apartheid de Israel na Cisjordânia
Nações Unidas exigem que Israel interrompa as atividades ilegais de assentamento na Cisjordânia ocupada
247 - Um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira (7) condenou Israel por violar o direito internacional ao implementar políticas semelhantes ao apartheid na Cisjordânia, onde colonos israelenses e palestinos estão submetidos a sistemas jurídicos distintos, resultando em discriminação generalizada, informou a Xinhua.
O relatório, publicado pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), detalhou o impacto sufocante das leis, políticas e práticas de Israel sobre todos os aspectos da vida cotidiana dos palestinos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.
Segundo o documento, a discriminação sistêmica de Israel contra os palestinos é um problema de longa data, que se agravou de forma acentuada desde dezembro de 2022. O relatório alerta que Israel está violando o direito internacional, que exige dos Estados a proibição e a erradicação da segregação racial e do apartheid.
“As autoridades israelenses tratam os colonos israelenses e os palestinos residentes na Cisjordânia sob dois conjuntos distintos de leis e políticas, resultando em tratamento desigual em uma série de questões críticas, incluindo circulação e acesso a recursos como terra e água”, afirma o relatório.
O texto conclui que há fundamentos razoáveis para acreditar que a segregação, a discriminação e a subordinação têm a intenção de serem permanentes, “para manter a opressão e a dominação dos palestinos”.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, declarou: “Há uma asfixia sistemática dos direitos dos palestinos na Cisjordânia. Trata-se de uma forma particularmente grave de discriminação racial e segregação que se assemelha ao tipo de sistema de apartheid que já vimos anteriormente”.
Turk instou Israel a desmantelar todos os assentamentos e evacuar todos os colonos, além de respeitar o direito do povo palestino à autodeterminação e revogar “todas as leis, políticas e práticas que perpetuam a discriminação sistêmica contra os palestinos com base em raça, religião ou origem étnica”.
Em dezembro de 2016, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 2334, exigindo que Israel interrompesse as atividades ilegais de assentamento na Cisjordânia. Israel se recusou a cumprir as disposições da resolução.
De acordo com o ACNUDH, entre 7 de outubro de 2023 e 13 de novembro de 2025, forças de segurança israelenses e colonos mataram ao menos 1.017 palestinos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental. Entre as vítimas estavam 221 crianças. O número não inclui palestinos que morreram sob custódia israelense. No mesmo período, 59 israelenses foram mortos em ataques palestinos, ataques suspeitos ou confrontos armados, segundo o organismo.



