EUA ampliam sanções contra entidades palestinas
Medidas anunciadas por Washington atingem organizações humanitárias e ocorrem durante bloqueio israelense e sucessivas violações do cessar-fogo
247 - O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de novas sanções contra organizações palestinas que atuam na Faixa de Gaza, alegando que essas entidades operariam em nome do Movimento de Resistência Palestina (Hamas). As autoridades norte-americanas, no entanto, não apresentaram provas públicas que sustentem as acusações feitas contra os grupos afetados.
A informação foi divulgada pela Telesur, com base em dados da Quds News Network e de agências internacionais. Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, as medidas fazem parte de uma política mais ampla de sanções adotada durante o governo de Donald Trump e foram formalizadas por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês).
De acordo com o comunicado oficial, as sanções atingem seis organizações palestinas: a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, a Associação Waad, a Associação Al-Nour, os Comboios de Gaza, a Associação Al-Falah, a Al-Ayadi Al-Rahima e a Associação Al-Salama. Todas elas, segundo Washington, estariam sediadas na Faixa de Gaza e envolvidas em atividades de assistência médica e humanitária à população civil palestina.
As autoridades norte-americanas afirmam que esses grupos operariam em nome do Hamas, mas não apresentaram evidências concretas para sustentar essa alegação. As entidades atingidas desenvolvem ações de apoio social em um território submetido a severas restrições impostas por Israel, com impacto direto sobre a vida de milhões de civis.
Entre as organizações anteriormente sancionadas estava a Associação Addameer de Apoio a Prisioneiros e Direitos Humanos, que oferece assistência jurídica a palestinos detidos por Israel ou pela Autoridade Palestina na Cisjordânia. Israel já acusou a Addameer de desviar recursos para grupos de resistência, acusações que a própria organização nega.
As novas sanções são anunciadas em um contexto de agravamento da situação humanitária em Gaza, marcada por um bloqueio imposto por Israel e por repetidas violações dos acordos de cessar-fogo. Os Estados Unidos seguem oferecendo apoio político e militar a Israel, mesmo diante das denúncias de organizações de direitos humanos sobre o impacto dessas políticas.
Segundo essas organizações, o cerco e a restrição ao acesso a alimentos e serviços básicos têm como efeito a pressão sobre os 2,2 milhões de palestinos que vivem em Gaza, cenário descrito como um processo de expulsão forçada da população do território.


