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Trump anuncia hoje 'conselho da paz' em Davos

Iniciativa do presidente dos Estados Unidos prevê órgão consultivo para reconstrução da Faixa de Gaza, mas enfrenta críticas

Donald Trump em Davos, Suíça - 21/01/2026 (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia nesta quinta-feira (22), durante cerimônia em Davos, o lançamento do chamado Conselho da Paz, uma nova estrutura internacional idealizada por seu governo com o objetivo declarado de atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A proposta, apresentada como parte de um esforço diplomático mais amplo, já provoca controvérsia e desconfiança entre governos e especialistas em relações internacionais.

Segundo informações divulgadas pelo G1 e agências internacionais, o Conselho da Paz estava previsto na segunda fase do acordo de paz mediado pelos Estados Unidos e firmado em outubro do ano passado entre Israel e o grupo Hamas. O novo órgão terá caráter consultivo e deve assessorar o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou seus trabalhos neste mês no Cairo, sob a liderança do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath e de outros 14 integrantes.

De acordo com comunicado oficial da Casa Branca, o conselho foi concebido para “apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza”. Apesar do discurso oficial, a iniciativa foi recebida com reservas por parte da comunidade internacional e gerou críticas contundentes de analistas e diplomatas.

Uma das principais preocupações levantadas por diplomatas ouvidos pela agência Reuters é o impacto do novo órgão sobre o papel das Nações Unidas. Um representante europeu resumiu o receio ao classificar a proposta como uma “Nações Unidas de Trump” que ignora princípios fundamentais da Carta da ONU. O rascunho do estatuto do Conselho da Paz faz críticas ao sistema multilateral atual ao defender a necessidade de “um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz” e de “coragem de abandonar abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência”.

O próprio Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, será o presidente inaugural do Conselho da Paz. O estatuto concede a ele amplos poderes, incluindo a palavra final em votações, a escolha dos países convidados e a possibilidade de revogar a participação de membros. O documento estabelece mandatos de três anos para os Estados participantes, com exceção daqueles que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano. “Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano”, diz o texto.

A Casa Branca anunciou ainda os sete integrantes fundadores do conselho executivo: Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos; Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido; Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para a Faixa de Gaza; Jared Kushner, genro de Trump; Ajay Banga, presidente do Banco Mundial; Marc Rowan, financista norte-americano; e Robert Gabriel, colaborador próximo de Trump no Conselho de Segurança Nacional. As atribuições específicas de cada membro ainda não foram detalhadas. Além disso, o major-general Jasper Jeffers foi designado para comandar a Força Internacional de Estabilização em Gaza.

Até o momento, 25 países já confirmaram participação no Conselho da Paz, entre eles Israel, Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Hungria. Convites também foram enviados a cerca de 60 nações, incluindo Brasil, Rússia, China, França, Alemanha e Japão. Noruega, Suécia e Itália já recusaram formalmente o convite, enquanto outros governos afirmam estar avaliando a proposta.

No caso brasileiro, o convite é considerado diplomáticamente sensível. O presidente Lula defende publicamente a criação de um Estado palestino, posição que pode entrar em choque com a adesão ao conselho idealizado por Trump. Uma eventual aceitação poderia gerar cobranças por coerência, enquanto a recusa pode afetar a reaproximação recente entre Brasília e Washington após negociações comerciais.

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