China reafirma defesa da ONU após convite de Trump para integrar Conselho da Paz sobre Gaza
Governo chinês reage a convite do presidente dos EUA para integrar Conselho da Paz de Gaza e reforça compromisso com o multilateralismo
247 - A China declarou nesta quarta-feira (21) que seguirá defendendo a ordem internacional baseada nas Nações Unidas, após a confirmação de que recebeu um convite para integrar o chamado Conselho da Paz, idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As informações são do jornal O Globo.
A manifestação ocorre em meio a questionamentos globais sobre a iniciativa americana e seus possíveis efeitos sobre o sistema multilateral. A reação de Pequim acontece um dia após a Casa Branca tornar público o convite feito ao governo chinês para participar do novo órgão internacional proposto por Trump.
Reação chinesa ao plano dos EUA
Durante coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, reiterou a posição histórica do país. “Não importa como muda a situação internacional, a China defende firmemente o sistema internacional com as Nações Unidas em seu centro, uma ordem internacional baseada nos objetivos e princípios da Carta da ONU”, afirmou.
Pequim confirmou ter recebido o convite, mas não indicou se irá aceitá-lo. A China é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e, embora defenda reformas na organização, mantém apoio ao multilateralismo liderado pelas Nações Unidas.
Críticas de Trump às Nações Unidas
Questionado por jornalistas na Casa Branca sobre a possibilidade de o novo conselho substituir a ONU, Trump respondeu: “Talvez sim”. Em seguida, criticou o desempenho do organismo internacional. “A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Eles deveriam ser capazes de resolver essas guerras. Mas acredito que devemos permitir que a ONU continue, porque o potencial é muito grande”, declarou o presidente dos Estados Unidos. As declarações reforçaram preocupações de diplomatas e aliados históricos de Washington, especialmente na Europa, sobre uma possível tentativa de esvaziamento do papel da ONU.
Conselho da Paz e o futuro de Gaza
O Conselho da Paz foi inicialmente concebido para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza no pós-guerra, mas, segundo informações da AFP, sua carta constitutiva não limita a atuação ao território palestino. O plano integra a segunda fase do acordo de cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos, que prevê a desmilitarização do Hamas, criação de uma governança tecnocrática e reconstrução da região. O conselho será presidido pelo próprio Trump e prevê mandatos de três anos para seus membros. Para adesão permanente, os países deverão contribuir com até US$ 1 bilhão.
Resistência europeia e posições divergentes
Diplomatas europeus expressaram preocupação com a proposta. Um representante ouvido pela Reuters afirmou que o conselho equivale a uma “Nações Unidas de Trump”, por ignorar fundamentos da Carta da ONU. A França e a Noruega anunciaram que não participarão da iniciativa. A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, alertou para os riscos de enfraquecer o sistema multilateral. “E se questionarmos isso, recuamos para tempos muito, muito, muito sombrios”, disse à Sky News.
Impactos globais e crise humanitária em Gaza
Apesar das adesões anunciadas por diversos países, o futuro de Gaza segue incerto. O Hamas ainda controla parte significativa do território e se recusa a se desarmar. A ONU alertou que a crise humanitária está longe de terminar, com cerca de 80% das edificações destruídas ou danificadas.
Na madrugada desta quarta-feira, ataques israelenses mataram ao menos 11 palestinos, incluindo crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. A organização internacional também destacou que famílias sobreviventes enfrentam escassez de alimentos, abrigo e condições mínimas de sobrevivência durante o inverno.


