Israel pressiona os EUA a não negociar com o Irã em meio a retomada do diálogo nuclear
Premiê israelense afirma que Teerã não é confiável enquanto EUA e Irã retomam negociações nucleares
247 - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ao enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, que considera improvável que o Irã cumpra qualquer eventual acordo relacionado ao seu programa nuclear. O encontro ocorreu em Jerusalém, em meio a uma nova tentativa de reativar a via diplomática entre Washington e Teerã, após meses de escalada de tensões no Oriente Médio.
Segundo comunicado divulgado pelo gabinete do premiê israelense, Netanyahu foi direto ao expor sua avaliação ao representante americano. De acordo com a nota oficial, ele disse que o Irã “provou repetidamente que suas promessas não são confiáveis”. A informação foi publicada originalmente pela agência Reuters, que acompanha de perto as movimentações diplomáticas envolvendo o impasse nuclear iraniano.
A reunião contou ainda com a presença de autoridades de alto escalão do governo e das forças de segurança de Israel. Participaram do encontro o chefe da agência de inteligência Mossad, David Barnea, o ministro da Defesa, Israel Katz, e o comandante das Forças Armadas israelenses, Eyal Zamir, segundo relataram dois funcionários israelenses à Reuters.
As negociações entre Estados Unidos e Irã estão previstas para serem retomadas nesta sexta-feira (6). Fontes iranianas ouvidas pela Reuters afirmaram na semana passada que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu três condições centrais para a retomada do diálogo: enriquecimento zero de urânio em território iraniano, limites ao programa de mísseis balísticos de Teerã e o fim do apoio iraniano a grupos armados na região — exigências que historicamente coincidem com as posições defendidas por Israel.
O governo iraniano sustenta há anos que essas demandas representam violações inaceitáveis de sua soberania nacional. Ainda assim, dois funcionários iranianos disseram à Reuters que os líderes religiosos do país veem o programa de mísseis balísticos, mais do que o enriquecimento de urânio, como o principal entrave nas negociações com Washington.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou recentemente que consequências graves poderão ocorrer caso não haja um acordo. A declaração foi feita no contexto do envio de um porta-aviões americano e navios de guerra de apoio ao Oriente Médio, movimento que ampliou a capacidade militar dos Estados Unidos na região em meio ao aumento das tensões com Teerã.


