Ataques de Israel deixam mais de 20 mortos no Líbano
Bombardeios israelenses no sul do Líbano expõem a fragilidade da trégua prorrogada por 45 dias
247 - Os bombardeios israelenses no sul do Líbano deixaram mais de 20 mortos em uma nova sequência de ataques e expuseram a fragilidade da trégua prorrogada por 45 dias, que segue sem efeito prático no terreno. As informações são da Al Jazeera, da Associated Press e da AFP. A ofensiva ocorreu mesmo após negociações em Washington entre representantes libaneses e israelenses, em meio a uma escalada que mantém milhares de famílias deslocadas e aprofunda a crise humanitária no país.
Segundo a Al Jazeera, Israel lançou novas séries de ataques aéreos contra o sul do Líbano um dia depois de os dois países concordarem em estender o cessar-fogo por mais 45 dias. A emissora destacou que a trégua, embora formalmente renovada, “nunca foi observada” na prática. Em Tayr Falsayh, no distrito de Tiro, ao menos três pessoas morreram, entre elas uma mulher, seu filho e um paramédico, de acordo com a agência estatal libanesa NNA.
A Associated Press informou que novos ataques israelenses no sul libanês mataram ao menos 19 pessoas em uma terça-feira, incluindo quatro mulheres e três crianças, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. O ataque mais letal ocorreu em Deir Qanoun al Nahr, na província costeira de Tiro, onde dez pessoas morreram, entre elas três crianças e três mulheres. Outras ofensivas atingiram Nabatieh, com quatro mortos e dez feridos, e Kfar Sir, onde cinco pessoas foram mortas.
O Exército israelense não comentou imediatamente os números de vítimas citados pelas autoridades libanesas, mas afirmou ter atacado mais de 25 locais de infraestrutura do Hezbollah no sul do Líbano entre uma tarde de segunda-feira e a tarde seguinte. Israel sustenta que suas operações buscam impedir a recomposição militar do grupo, enquanto o Hezbollah diz responder a violações do cessar-fogo e à presença israelense em território libanês.
A extensão da trégua foi anunciada depois de dois dias de conversas em Washington. De acordo com comunicado citado pela ABC, com informações da Reuters, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que a cessação de hostilidades iniciada em 16 de abril seria prorrogada por 45 dias para permitir avanços nas negociações. A previsão é que delegações militares se reúnam em 29 de maio, antes de novas conversas políticas em junho.
Na prática, porém, a situação no sul do Líbano segue marcada por ataques, deslocamentos e incerteza. A AFP relatou que Israel emitiu alertas de evacuação para nove vilarejos antes de novos bombardeios, e que a agência libanesa NNA registrou ataques a pelo menos cinco localidades, incluindo uma área a mais de 50 quilômetros da fronteira. A ofensiva ampliou o ceticismo de moradores deslocados, que afirmam não ver qualquer cessação real das hostilidades.
Um dos ataques recentes atingiu um centro do Comitê Islâmico de Saúde, ligado ao Hezbollah, na cidade de Harouf. Segundo o Ministério da Saúde libanês, seis pessoas morreram, incluindo três paramédicos. A morte de socorristas aumentou as críticas das autoridades libanesas, que acusam Israel de desrespeitar normas internacionais em meio à continuidade das operações militares.
O guerra atual de Israel contra o Líbano foi retomada em 2 de março. Desde então, o exército israelense tem realizado ataques maciços, que incluem bombardeios, no sul do Líbano, Beirute e outras regiões.
O balanço geral do conflito ultrapassou 3 mil mortos no Líbano. O Ministério da Saúde libanês informou que 3.020 pessoas morreram em ataques israelenses, incluindo 292 mulheres e 211 crianças. Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas pela guerra, algumas vivendo em tendas ao longo de estradas e da costa de Beirute. Do lado israelense, a AP informou que 20 soldados, dois civis e um contratado de defesa haviam morrido até a véspera dos novos ataques; depois, Israel relatou a morte de mais um soldado no sul libanês.


