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Austrália declara apoio ao ataque dos EUA e Israel contra o Irã

Primeiro-ministro Anthony Albanese anuncia sanções, expulsão de diplomata e alerta máximo de viagem para a região

Anthony Albanese (Foto: Lukas Coch/Pool via Reuters)

247 - O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, declarou apoio às ações dos Estados Unidos contra o Irã e anunciou medidas diplomáticas e consulares em meio à escalada militar no Oriente Médio. As declarações foram publicadas pelo próprio premiê em sua conta oficial na rede social X.

“A Austrália se solidariza com o corajoso povo do Irã em sua luta contra a opressão”, escreveu Albanese. Ele afirmou que, “durante décadas, o regime iraniano tem sido uma força desestabilizadora, através de seus programas de mísseis balísticos e nucleares, apoio a grupos armados aliados e atos brutais de violência e intimidação”.

O primeiro-ministro também acusou Teerã de ter realizado “pelo menos dois ataques em solo australiano em 2024”. Segundo ele, “esses atos terríveis, direcionados à comunidade judaica da Austrália, visavam criar medo, dividir nossa sociedade e desafiar nossa soberania”. Em resposta, informou que o governo adotou “medidas sem precedentes”, como “expulsar o embaixador do Irã, suspender as operações em nossa embaixada em Teerã e incluir a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) na lista de países patrocinadores do terrorismo”.

Albanese acrescentou que a Austrália já sancionou “mais de 200 indivíduos ligados ao Irã, incluindo mais de 100 ligados à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC)”. Ele afirmou ainda que, “juntamente com parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos e o G7, apelamos ao regime iraniano para que respeite os direitos humanos e as liberdades fundamentais dos cidadãos do Irã”.

De acordo com o premiê, “esses apelos foram ignorados”. Ele acusou o governo iraniano de ter instigado “uma repressão brutal contra seu próprio povo, deixando milhares de civis iranianos mortos” e declarou: “Um regime que se baseia na repressão e no assassinato de seu próprio povo para se manter no poder não possui legitimidade”.

No campo nuclear, Albanese reforçou que “há muito se reconhece que o programa nuclear iraniano representa uma ameaça à paz e à segurança globais”. Segundo ele, “a comunidade internacional tem sido clara ao afirmar que o regime iraniano jamais poderá desenvolver uma arma nuclear”. O premiê mencionou que o Conselho de Segurança da ONU reimpôs sanções ao Irã por descumprimento do Plano de Ação Conjunto Global e que o Conselho da Agência Internacional de Energia Atômica declarou formalmente o país em descumprimento de suas obrigações de salvaguardas de não proliferação.

“Apoiamos as ações dos Estados Unidos para impedir que o Irã obtenha armas nucleares e para evitar que o Irã continue a ameaçar a paz e a segurança internacionais”, afirmou.

Diante do agravamento do conflito, o governo australiano emitiu alertas consulares. “Aconselhamos os australianos a não viajarem para o Irã e a deixarem o país o mais rápido possível, se for seguro fazê-lo. Nossa capacidade de prestar assistência consular no Irã é extremamente limitada”, escreveu o premiê. Ele informou ainda que o alerta de viagem para Israel e Líbano foi elevado para “Não viaje”, recomendando que cidadãos australianos deixem esses países “agora, se for seguro fazê-lo”.

O Departamento de Relações Exteriores e Comércio ativou seu Centro de Crise para apoiar cidadãos na região. Australianos que necessitarem de assistência urgente podem contatar o Centro de Emergência Consular 24 horas por dia, pelo número 1300 555 135 na Austrália ou +61 2 6261 3305 do exterior.

As declarações ocorrem após os Estados Unidos e Israel lançarem um ataque contra o Irã no sábado. O presidente Donald Trump confirmou que “grandes operações de combate” estão em andamento. Em vídeo publicado na rede Truth Social, Trump prometeu dizimar as forças armadas iranianas, eliminar o programa nuclear do país e promover uma mudança de governo.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em declaração em vídeo que uma “operação conjunta” foi lançada contra o que chamou de “ameaça existencial” representada pelo Irã. Segundo ele, a ação militar poderia “criar as condições para que o bravo povo iraniano tome as rédeas do seu destino”.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que Estados Unidos e Israel atacaram alvos militares e civis, “violando flagrantemente” a integridade territorial e a soberania do país. A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou que lançou a primeira onda de ataques extensivos com mísseis e drones contra alvos israelenses, em reação à agressão de um “inimigo hostil e criminoso”.

Explosões foram registradas em cidades israelenses, enquanto autoridades militares de Israel afirmaram ter detectado mísseis balísticos lançados do Irã, classificando-os como a primeira onda de retaliação. Também foram ouvidas grandes explosões em Teerã, capital iraniana, com relatos locais de fumaça em um bairro que abriga o palácio presidencial e o Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Os ataques ocorreram após o término inconclusivo de negociações nucleares indiretas entre Teerã e Washington em Genebra, na sexta-feira, e em meio ao aumento da presença militar norte-americana na região

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