Bill Gates diz ao Congresso dos EUA que foi alvo de chantagem de Epstein por casos extraconjugais
Fundador da Microsoft afirmou que o financista usou informações pessoais para pressioná-lo a retomar contato
247 - Bill Gates afirmou nesta quarta-feira (10) que Jeffrey Epstein tentou chantageá-lo utilizando informações sobre seus casos extraconjugais. O fundador da Microsoft prestou depoimento reservado ao Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que investiga a atuação das autoridades federais nos processos relacionados ao financista acusado de tráfico sexual.
Segundo o g1, Gates declarou aos parlamentares que não compreendia plenamente a dimensão dos crimes cometidos por Epstein quando manteve contato com ele em iniciativas voltadas à captação de recursos para sua fundação filantrópica. Em sua declaração de abertura, o empresário afirmou que as informações utilizadas por Epstein para pressioná-lo causaram impacto em sua vida pessoal.
"Esses casos não tinham nada a ver com minhas interações com Epstein, mas foram dolorosos para minha família", disse. Gates acrescentou que o financista buscava restabelecer contato por meio de pressão baseada em informações pessoais.
"Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades — além de muitas mentiras que acrescentou — para me pressionar a retomar o contato com ele." O bilionário também declarou que jamais testemunhou qualquer atividade criminosa praticada pelo financista durante os encontros que mantiveram ao longo dos anos.
Investigação do Congresso
O depoimento ocorreu no âmbito da apuração conduzida pela Câmara dos Representantes sobre a forma como o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tratou os casos envolvendo Epstein, sua associada Ghislaine Maxwell e outras questões relacionadas. O presidente republicano do comitê, James Comer, havia solicitado formalmente a presença de Gates em março para uma entrevista presencial com registro transcrito.
De acordo com o New York Times, Gates contratou Jake Greenberg, ex-principal investigador do comitê, para auxiliá-lo na preparação para o depoimento. Um porta-voz da comissão informou que Greenberg deixou de trabalhar para o órgão após sua saída em dezembro.
Relação entre Gates e Epstein
Jeffrey Epstein declarou-se culpado em 2008 por uma acusação estadual ligada à exploração sexual de menores na Flórida e cumpriu 13 meses de prisão. Em 2019, promotores federais o acusaram de tráfico sexual de menores. Ele negou as acusações e morreu na prisão antes de ser julgado, em um caso classificado pelas autoridades como suicídio.
Documentos divulgados neste ano pelo Departamento de Justiça mostram que Gates e Epstein mantiveram diversos encontros após a condenação de 2008. Segundo os registros, as reuniões abordavam possíveis projetos filantrópicos e iniciativas sociais. Os documentos também incluíram fotografias de Gates ao lado de mulheres cujos rostos foram ocultados.
O empresário já havia declarado anteriormente que sua relação com Epstein estava restrita a discussões sobre filantropia e reconheceu que foi um erro ter mantido contato com ele. Em fevereiro, segundo um porta-voz da Fundação Gates ouvido pela Reuters, o empresário "assumiu a responsabilidade por seus atos" durante uma reunião com funcionários da organização.
A Fundação Gates informou em abril que iniciou uma revisão externa sobre os contatos entre Gates e Epstein. Além disso, e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça revelaram comunicações entre o financista e funcionários da instituição filantrópica.
Escopo da investigação
A comissão da Câmara investiga a condução das apurações e dos processos judiciais relacionados a Epstein, acordos firmados pelas autoridades, a morte do financista na prisão, possíveis falhas no combate ao tráfico sexual, questões éticas e atrasos na divulgação de documentos governamentais.
A divulgação de milhões de registros internos pelo Departamento de Justiça revelou conexões de Epstein com figuras influentes dos meios político, financeiro, acadêmico e empresarial.
Entre os nomes mencionados nos documentos está o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que manteve convivência social com Epstein durante as décadas de 1990 e 2000. Os registros também intensificaram o debate sobre a divulgação de arquivos relacionados ao caso.



