Casa Branca alerta funcionários sobre uso de informações privilegiadas em apostas relacionadas a eventos geopolíticos
Comunicado foi enviado após operações suspeitas em plataformas de apostas que "previam" a data do cessar-fogo na guerra com o Irã
247 - A Casa Branca emitiu um alerta a seus funcionários sobre o uso de informações internas em apostas relacionadas a eventos geopolíticos durante negociações recentes por um cessar-fogo envolvendo o Irã. A orientação foi divulgada após movimentações suspeitas em plataformas de apostas, informa o The Wall Street Journal. O aviso foi enviado por e-mail no dia 24 de março a todos os funcionários pelo Gabinete de Gestão do executivo estadunidense.
Segundo o jornal O Globo, a comunicação ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar um ataque anunciado previamente ao Irã, no contexto das agressões ao país persa. Três contas na plataforma Polymarket obtiveram cerca de US$ 600 mil em ganhos ao prever corretamente a data de um cessar-fogo na guerra. O valor equivale a mais de R$ 3 milhões na cotação atual.
A movimentação gerou questionamentos entre críticos do governo Trump, incluindo parlamentares do Partido Democrata, que levantaram a hipótese de uso de informações privilegiadas. O senador Richard Blumenthal afirmou no mês passado: "Estão transformando a guerra em um jogo de cassino e criando um mercado para vazamentos de segurança nacional."
Governo reforça regras éticas
Um integrante do governo descreveu o e-mail como um "lembrete" diante do aumento de apostas em mercados futuros relacionadas a temas sensíveis. O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, declarou ao jornal que o governo rejeita a possibilidade de uso indevido de informações internas. Segundo ele, integrantes do Executivo e do Congresso não devem utilizar dados privados para obter vantagens financeiras.
As normas vigentes já proíbem funcionários do Executivo de realizar apostas em propriedades federais, além de impedir o uso de informações governamentais para benefício pessoal.
Casos anteriores e reação no Congresso
Situações semelhantes têm sido registradas nos últimos meses. Em janeiro, um operador anônimo lucrou cerca de US$ 400 mil ao antecipar a saída de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, poucas horas antes de seu sequestro em Caracas. Em fevereiro, autoridades de Israel prenderam diversas pessoas, incluindo reservistas, sob acusação de utilizar informações confidenciais para realizar apostas envolvendo operações militares.
Diante desse cenário, parlamentares democratas defendem mudanças na legislação. No mês passado, os senadores Richard Blumenthal e Andy Kim apresentaram um projeto que propõe a proibição de mercados de previsão relacionados a guerras ou ações militares. Kim afirmou na ocasião: "A corrupção e a exploração estão prosperando neste momento nas brechas e lacunas dos mercados de previsão."


