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Catar culpa Israel por ataque a campo de gás compartilhado com o Irã e alerta para risco energético global

País do Golfo afirma que ofensiva atinge infraestrutura crítica e pode desestabilizar fornecimento mundial de energia

Campo de gás dividido entre o Irã e o Catar (Foto: Redes sociais)

247 -  O governo do Catar responsabilizou Israel por um ataque que atingiu instalações ligadas a um dos maiores campos de gás natural do mundo, compartilhado com o Irã, elevando a tensão no Oriente Médio e acendendo um alerta sobre os impactos no abastecimento global de energia. As informações foram publicadas pelo jornal Valor Econômico. 

Segundo a reportagem, autoridades cataris classificaram a ofensiva como uma ameaça direta à segurança energética internacional, destacando que o campo afetado — conhecido como South Pars/North Dome — é essencial tanto para a economia iraniana quanto para a produção de gás do Catar, um dos maiores exportadores globais do insumo. 

O ataque ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, iniciada no fim de fevereiro de 2026, quando ações militares conjuntas atingiram alvos estratégicos iranianos, desencadeando retaliações em toda a região. De acordo com autoridades citadas na reportagem, a ação militar atingiu estruturas de processamento de gás ligadas ao lado iraniano do campo, o que pode comprometer etapas fundamentais da cadeia produtiva, como extração, tratamento e distribuição. 

Relatos indicam que unidades importantes foram danificadas, o que pode afetar tanto o abastecimento interno do Irã quanto exportações e cadeias industriais dependentes do combustível. O Catar, que compartilha a exploração do reservatório com o Irã, manifestou preocupação com possíveis efeitos colaterais sobre suas próprias operações e sobre o mercado internacional. 

O país é um dos principais fornecedores de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, e qualquer interrupção significativa pode pressionar preços e gerar instabilidade energética em diversos continentes. A crise atual também afeta rotas estratégicas de transporte de energia, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do comércio global de petróleo e gás. A intensificação dos confrontos já provocou redução no tráfego marítimo e aumento do risco para embarcações na região. Além das implicações econômicas, o episódio amplia o risco de uma escalada militar mais ampla no Golfo Pérsico, envolvendo outros países produtores e aliados das potências em conflito. 

O Catar alertou que a continuidade de ataques a infraestruturas energéticas pode ter “consequências imprevisíveis” para a estabilidade regional e para o equilíbrio do mercado global. Especialistas apontam que, diante da interdependência energética entre países da região, ações contra instalações críticas tendem a ter impactos que ultrapassam fronteiras, afetando cadeias produtivas globais e elevando a volatilidade nos preços do gás e do petróleo.

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