Cessar-fogo no Líbano ainda é motivo de dúvidas devido às constantes violações por Israel
Trégua enfrenta incertezas sobre soberania libanesa e deslocados
247 - O cessar-fogo entre Israel e Hezbollah enfrenta novas incertezas no sul do Líbano, em meio a dúvidas sobre a eficácia de um mecanismo de desconflicto entre Estados Unidos e Irã e sobre o retorno de pessoas deslocadas, as informações são da Al Jazeera.
O economista político Joseph Daher afirmou à emissora que recebeu com “ceticismo” a iniciativa, voltada a preservar a trégua entre Israel e o Hezbollah. Segundo ele, experiências anteriores indicam que instrumentos semelhantes não conseguiram impedir violações israelenses em acordos já firmados.
Daher avaliou que o histórico recente pesa contra a confiança no novo arranjo. “Experiências passadas demonstraram que os mecanismos de resolução de conflitos não têm sido muito eficazes”, disse ele à Al Jazeera.
O ponto central, de acordo com o economista político, está na capacidade de Washington de pressionar Israel a cumprir as condições necessárias para estabilizar a região. Ele destacou que a questão não se limita à existência formal de um mecanismo diplomático, mas à disposição dos Estados Unidos de agir de maneira efetiva.
“Os EUA exercerão pressão suficiente sobre Israel para que este respeite a soberania libanesa e retire suas forças de ocupação do sul do Líbano?”, questionou Daher.
Ocupação no sul do Líbano
Segundo Daher, o exército israelense ainda ocupa mais de 600 quilômetros quadrados do sul do Líbano. Ele também afirmou que autoridades militares israelenses fizeram diversas declarações sobre impedir o retorno de dezenas de milhares de pessoas deslocadas pela escalada do conflito.
Esse cenário amplia as dúvidas sobre a implementação do cessar-fogo. Para o economista político, a permanência das forças israelenses em território libanês e a situação dos deslocados seguem como obstáculos centrais para qualquer tentativa de estabilização duradoura.
A avaliação sugere que o mecanismo de desconflicto entre EUA e Irã dependerá menos de sua formulação diplomática e mais da capacidade de conter novas violações e garantir respeito à soberania libanesa.
Hezbollah e influência regional do Irã
Daher também analisou a relação entre Hezbollah e Irã. Segundo ele, Teerã “não tem interesse em ver um maior enfraquecimento” do grupo libanês, pois isso exporia “uma perda de influência sociopolítica na região”.
A observação reforça a importância estratégica do Hezbollah para o Irã no equilíbrio regional. No contexto do cessar-fogo, esse vínculo é um dos elementos que explicam a participação indireta de Teerã nas tentativas de evitar uma nova escalada no sul do Líbano.
Mesmo assim, o economista político vê motivos para cautela. Para ele, a experiência de acordos anteriores, a continuidade da ocupação israelense e a indefinição sobre o retorno de deslocados mantêm o cessar-fogo sob forte pressão.



