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Chanceler alemão minimiza crise com Trump após anúncio da retirada de tropas

Merz diz que divergências com Trump não influenciaram decisão dos EUA de reduzir presença militar na Alemanha

Friedrich Merz, em 29 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Liesa Johannssen)

247 - O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que não há relação entre suas críticas à política dos Estados Unidos para o Irã e a decisão de Washington de reduzir sua presença militar em território alemão. A fala ocorre após o anúncio do Pentágono de que irá retirar cerca de 5 mil soldados do país europeu. As informações são da agência Reuters.

O mandatário alemão destacou que precisa aceitar divergências com o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para manter a cooperação dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), ao mesmo tempo em que reiterou seu compromisso com a aliança transatlântica.

Merz rejeitou a interpretação de que suas críticas à condução da política externa estadunidense no Oriente Médio teriam influenciado a decisão. Ele também negou qualquer conexão entre o episódio e o recuo militar anunciado.

"Tenho que aceitar que o presidente dos EUA tem uma visão diferente sobre essas questões da nossa. Mas isso não muda o fato de que continuo convencido de que os estadunidenses são parceiros importantes para nós", afirmou Merz.

O chanceler alemão havia questionado anteriormente se Trump possuía uma estratégia de saída para o Oriente Médio e chegou a afirmar que os Estados Unidos estavam sendo "embaraçados" nas negociações com o Irã. Em resposta, Trump teria classificado Merz como um líder "ineficaz".

Retirada de tropas e impacto estratégico

O anúncio da retirada de tropas também é interpretado como o abandono de um plano da administração de Joe Biden para a instalação de um batalhão com mísseis de longo alcance Tomahawk na Alemanha.

A iniciativa era vista por Berlim como um elemento de dissuasão contra a Rússia, enquanto países europeus buscavam avançar no desenvolvimento de capacidades próprias de defesa.

Merz afirmou ainda que Trump nunca havia se comprometido formalmente com o plano e que a manutenção desses sistemas militares pelos Estados Unidos seria improvável, segundo a avaliação do chanceler.

Durante sua primeira gestão, Trump já havia defendido a redução da presença militar dos Estados Unidos na Alemanha e reiterou em diferentes ocasiões que países europeus deveriam assumir maior responsabilidade por sua própria segurança dentro da OTAN.

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