Chanceler alemão minimiza crise com Trump após anúncio da retirada de tropas
Merz diz que divergências com Trump não influenciaram decisão dos EUA de reduzir presença militar na Alemanha
247 - O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que não há relação entre suas críticas à política dos Estados Unidos para o Irã e a decisão de Washington de reduzir sua presença militar em território alemão. A fala ocorre após o anúncio do Pentágono de que irá retirar cerca de 5 mil soldados do país europeu. As informações são da agência Reuters.
O mandatário alemão destacou que precisa aceitar divergências com o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para manter a cooperação dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), ao mesmo tempo em que reiterou seu compromisso com a aliança transatlântica.
Merz rejeitou a interpretação de que suas críticas à condução da política externa estadunidense no Oriente Médio teriam influenciado a decisão. Ele também negou qualquer conexão entre o episódio e o recuo militar anunciado.
"Tenho que aceitar que o presidente dos EUA tem uma visão diferente sobre essas questões da nossa. Mas isso não muda o fato de que continuo convencido de que os estadunidenses são parceiros importantes para nós", afirmou Merz.
O chanceler alemão havia questionado anteriormente se Trump possuía uma estratégia de saída para o Oriente Médio e chegou a afirmar que os Estados Unidos estavam sendo "embaraçados" nas negociações com o Irã. Em resposta, Trump teria classificado Merz como um líder "ineficaz".
Retirada de tropas e impacto estratégico
O anúncio da retirada de tropas também é interpretado como o abandono de um plano da administração de Joe Biden para a instalação de um batalhão com mísseis de longo alcance Tomahawk na Alemanha.
A iniciativa era vista por Berlim como um elemento de dissuasão contra a Rússia, enquanto países europeus buscavam avançar no desenvolvimento de capacidades próprias de defesa.
Merz afirmou ainda que Trump nunca havia se comprometido formalmente com o plano e que a manutenção desses sistemas militares pelos Estados Unidos seria improvável, segundo a avaliação do chanceler.
Durante sua primeira gestão, Trump já havia defendido a redução da presença militar dos Estados Unidos na Alemanha e reiterou em diferentes ocasiões que países europeus deveriam assumir maior responsabilidade por sua própria segurança dentro da OTAN.


