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China intensifica diplomacia com o Irã antes de encontro com Trump

Pequim amplia negociações enquanto prepara encontro estratégico com Donald Trump

Donald Trump e Xi Jinping (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - A China intensificou suas iniciativas diplomáticas para tentar conter o conflito envolvendo o Irã, ao mesmo tempo em que organiza uma reunião de alto nível entre o presidente Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para meados de maio. A movimentação reflete a tentativa de Pequim de equilibrar sua atuação no Oriente Médio com seus interesses estratégicos globais, segundo a agência Reuters.

De acordo com a Reuters, a postura cautelosa adotada pelo governo chinês tem sido moldada diretamente pela preparação para a cúpula com Trump, ao mesmo tempo em que busca evitar tensões com Teerã e garantir a segurança de seu abastecimento energético, já que o país depende significativamente do petróleo da região.

Plano de paz e atuação nos bastidores

Xi Jinping rompeu o silêncio sobre o conflito ao apresentar um plano de paz em quatro pontos, defendendo a convivência pacífica, o respeito à soberania nacional, o cumprimento do direito internacional e o equilíbrio entre desenvolvimento e segurança. A proposta foi anunciada durante encontro com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

Apesar da iniciativa, a China tem adotado um tom moderado diante das ações dos Estados Unidos. Após declarações de Trump sobre a possibilidade de atacar o Irã, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, limitou-se a afirmar que o país está “profundamente preocupado” e pediu que todas as partes contribuam para a redução das tensões.

Intensa agenda diplomática

A atuação chinesa no Oriente Médio ganhou ritmo acelerado nas últimas semanas. O ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, realizou cerca de 30 reuniões e telefonemas com autoridades estrangeiras, enquanto o enviado especial Zhai Jun visitou cinco capitais da região.

Durante uma dessas viagens, Zhai relatou ter ouvido sirenes de ataque aéreo ao se deslocar por áreas próximas ao conflito, evidenciando a gravidade da situação no terreno.

Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, essa mobilização visa manter a influência diplomática de Pequim sem comprometer suas relações com Washington.

Equilíbrio entre interesses globais

A estratégia chinesa busca preservar laços tanto com países considerados críticos ao Ocidente, como o Irã, quanto com os Estados Unidos. Analistas apontam que Pequim tenta manter relações flexíveis, evitando compromissos que limitem sua atuação futura.

Drew Thompson, pesquisador da Escola S. Rajaratnam, afirmou que o objetivo chinês é manter relações sem condições com países como o Irã, ao mesmo tempo em que busca algum tipo de entendimento com os EUA.

Limites da influência chinesa

Apesar do protagonismo diplomático, especialistas destacam que a capacidade de influência da China no conflito é limitada, principalmente pela ausência de presença militar significativa no Oriente Médio.

Patricia Kim, do Brookings Institution, afirmou que Pequim não demonstra interesse em assumir responsabilidades diretas, como garantir um eventual cessar-fogo. Segundo ela, a China parece preferir permanecer em posição secundária enquanto os Estados Unidos concentram a pressão sobre o conflito.

Cúpula com Trump e agenda econômica

A reunião entre Xi e Trump deve ter foco restrito, concentrando-se em temas práticos como comércio e acordos econômicos. Há expectativa de que a China avance em negociações envolvendo a compra de aeronaves da Boeing e produtos agrícolas dos Estados Unidos.

Analistas avaliam que a possibilidade de um acordo abrangente entre os dois países é remota. Como afirmou Scott Kennedy, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, “não há chance de que China e Estados Unidos alcancem um grande acordo”.

A combinação entre diplomacia no Oriente Médio e negociações com Washington mostra o esforço de Pequim para atuar simultaneamente em múltiplos tabuleiros estratégicos, mantendo sua influência global em meio a um cenário internacional de crescente tensão.

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