China rejeita acusações dos EUA sobre 'trabalho forçado'
Pequim afirma que acusações de trabalho forçado são infundadas e critica uso político do tema
247 - A China rejeitou as acusações feitas pelos Estados Unidos sobre suposto trabalho forçado e criticou a proposta de novas tarifas comerciais contra países acusados por Washington de falhas na fiscalização de cadeias globais de produção. Pequim afirmou que não há fundamento nas alegações e acusou os EUA de usarem o tema como instrumento de pressão política, em meio a uma nova escalada de tensão comercial.
A reação chinesa ocorreu após uma investigação dos Estados Unidos apontar que 60 países, entre eles Brasil, China, Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul, teriam falhado em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado em outros países. Como resposta, o governo americano propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre todos os produtos desses países.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, negou as acusações durante entrevista coletiva e afirmou que Pequim se opõe ao uso político do tema. “Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política”, disse Mao Ning.
A proposta americana inclui a China entre as economias que poderão ser atingidas pela sobretaxa. A medida faz parte de uma estratégia mais ampla de endurecimento comercial baseada em critérios relacionados a direitos trabalhistas e práticas adotadas nas cadeias internacionais de suprimentos.
Washington argumenta que a ausência de mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado cria concorrência desleal para empresas e trabalhadores americanos. O governo dos EUA também afirma que essas falhas contribuem para a permanência de formas modernas de trabalho escravo em cadeias globais de produção.
Brasil também aparece na lista dos EUA
O Brasil foi incluído no grupo de países que poderão enfrentar a sobretaxa de 12,5%. De acordo com o relatório americano, o país não teria instrumentos suficientes para barrar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado em outras nações.
A proposta, no entanto, ainda não está em vigor. O governo dos Estados Unidos abriu prazo para receber contribuições públicas até 6 de julho. Audiências sobre o tema estão previstas para 7 de julho, antes de uma decisão sobre a eventual implementação das tarifas.
União Europeia critica proposta de tarifas
A Comissão Europeia também reagiu à iniciativa americana e afirmou que considera injustificadas as tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos. O posicionamento foi apresentado nesta quarta-feira, no contexto das discussões sobre importações de produtos fabricados com trabalho forçado.
“A UE considera injustificadas as tarifas impostas por esses motivos”, disse um porta-voz da Comissão Europeia.
O mesmo porta-voz afirmou que o bloco europeu segue comprometido com a execução do acordo comercial firmado com Washington no ano passado.
“Do lado da UE, estamos no caminho certo para garantir a implementação dos compromissos tarifários de nossa Declaração Conjunta até o final de junho”, declarou.
Além da União Europeia, o Reino Unido também se manifestou. O governo britânico afirmou que mantém diálogo constante com Washington e destacou que tem adotado medidas para combater o trabalho forçado em cadeias de produção domésticas e globais. Londres também informou que continua negociando com os Estados Unidos sobre o tema.
Mercados asiáticos têm reação mista
A tensão comercial teve reflexos nos mercados asiáticos, que fecharam sem direção única. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,6%. Já as bolsas da China continental registraram leve alta, com avanço de 0,5% no CSI300 e de 0,2% na Bolsa de Xangai.
O setor de semicondutores esteve entre os destaques positivos, impulsionado por expectativas favoráveis em relação à demanda ligada à inteligência artificial. O desempenho ajudou a sustentar parte dos ganhos nas bolsas chinesas, apesar das preocupações com novas barreiras comerciais.
Dados econômicos também mostraram que a atividade do setor de serviços da China cresceu em maio no ritmo mais forte em três meses. O avanço foi impulsionado por novos negócios e por uma melhora na demanda externa.
Analistas do Goldman Sachs mantiveram avaliação positiva sobre ações chinesas do tipo A-share, citando uma melhora nas perspectivas de crescimento e a exposição de empresas locais ao setor de tecnologia.
Disputa amplia tensão entre China e EUA
A nova proposta de tarifas ocorre em um momento de maior pressão comercial entre Estados Unidos e China. A medida americana, se implementada, poderá afetar diretamente produtos de dezenas de economias consideradas por Washington como deficientes no controle de importações associadas a trabalho forçado.
A China, por sua vez, rejeita a acusação e sustenta que o tema vem sendo usado como justificativa para ações de natureza política e comercial. A disputa também provocou reação de outros parceiros dos Estados Unidos, incluindo União Europeia e Reino Unido, que buscam evitar novas barreiras em meio às negociações comerciais com Washington.



