Confrontos entre Hezbollah e Israel se intensificam no sul do Líbano
Combates em torno da cidade de Khiam e bombardeios israelenses ampliam número de mortos e elevam risco de colapso no país
247 - Os combates entre o Hezbollah e o exército israelense se intensificaram no sul do Líbano, especialmente nas proximidades da cidade de Khiam, onde forças das duas partes travam confrontos diretos em meio a relatos contraditórios sobre quem controla a área.
A escalada militar ocorre em meio a bombardeios, movimentação de tropas e novas ameaças de ampliação do conflito. Segundo a Prensa Latina e as redes de televisão Al Mayadeen e Al Jadeed, os combates mais intensos estão concentrados nos arredores de Khiam, onde unidades do Hezbollah e do exército israelense se enfrentam diretamente.
O Hezbollah informou que já realizou 47 operações contra posições e bases israelenses, incluindo confrontos diretos na área de Khiam. De acordo com o movimento da Resistência libanesa, os enfrentamentos ocorreram “com armas leves, médias e granadas”, indicando um aumento das batalhas terrestres na região fronteiriça.Fontes consultadas pelo jornal em língua árabe Asharq Al-Awsat afirmaram que o combate às incursões terrestres passou a ser a principal prioridade militar do Hezbollah. A mudança ocorre após um ataque em larga escala conduzido pelo exército de Israel em pelo menos quatro frentes de combate.
Ainda segundo essas fontes, o movimento libanês estaria enviando mais combatentes para o sul do país para enfrentar possíveis batalhas terrestres nos próximos dias. A mobilização ocorre em resposta ao reforço de reservistas israelenses do outro lado da fronteira, o que indica a possibilidade de ampliação da campanha militar.
Em resposta às movimentações, as forças israelenses realizaram ataques à infraestrutura no sul do Líbano, incluindo a destruição de pontes para impedir a chegada de reforços ao campo de batalha. Entre os alvos atingidos está a ponte Khardali, que conecta as cidades de Nabatieh e Marjeyoun, considerada estratégica para deslocamentos militares.Uma fonte israelense citada pelo site de notícias Axios afirmou que as forças do país pretendem intensificar a ofensiva. “Faremos a mesma coisa que fizemos em Gaza”, declarou, em referência à devastação provocada pelas operações militares israelenses no enclave palestino.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que sete pessoas morreram e outras oito ficaram feridas após dois bombardeios israelenses contra as cidades de Hara Saida e Qatrani, ambas localizadas no sul do país. Os ataques ampliam o número de vítimas civis registradas desde o início da escalada militar.De acordo com dados oficiais libaneses, 826 pessoas já morreram, entre elas 106 crianças e 65 mulheres, enquanto mais de duas mil ficaram feridas em consequência dos bombardeios israelenses desde o início dos confrontos.
A guerra de Israel contra o Hezbollah tem aumentado a preocupação internacional sobre o risco de colapso do Líbano. Diante do agravamento do conflito, o presidente libanês Joseph Aoun apresentou uma proposta de quatro pontos para tentar encerrar a guerra. A iniciativa prevê uma trégua completa, apoio logístico para que o exército libanês desarme o Hezbollah, desmonte seus arsenais e conduza negociações diretas com Israel sob supervisão internacional.
O Hezbollah, no entanto, rejeita a proposta. O movimento classificou o plano como uma capitulação diante dos Estados Unidos e de Israel e declarou que continuará combatendo. Em nota, afirmou que seus integrantes estão envolvidos em “uma luta existencial”.


