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Conselho de Segurança aponta como o Ocidente usa ONGs e ataques à energia nuclear para desacreditar a Rússia

Autoridade russa denuncia campanhas contra a Rosatom e alerta que crise no Estreito de Hormuz pode elevar custos de alimentos e fertilizantes

Rússia sob ataque permanente do Ocidente (Foto: Brasil 247)

247 – O vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Alexey Shevtsov, afirmou que o Ocidente tem utilizado organizações não governamentais e campanhas contra o setor nuclear para enfraquecer a influência de Moscou em países aliados.

As declarações foram divulgadas pela agência TASS nesta segunda-feira, 27 de abril, em Moscou, reunindo os principais pontos apresentados pelo dirigente russo sobre geopolítica, energia e segurança internacional.

Segundo Shevtsov, milhares de ONGs atuam em países como Moldávia e Armênia com o objetivo de fragilizar as relações com a Rússia e minar processos de integração regional.

"Atualmente, cerca de 14 mil ONGs estão registradas na Moldávia e cerca de 9 mil na Armênia. A maioria delas trabalha para minar as relações bilaterais [com a Rússia] e desacreditar os processos de integração", afirmou.

Ele também acusou o Ocidente de promover campanhas coordenadas para impedir a expansão da Rosatom em mercados estratégicos.

"Se olharmos, por exemplo, para os acontecimentos recentes relacionados à construção de energia nuclear no Cazaquistão ou no Quirguistão, foi lançada uma enorme campanha de informação para desacreditar a Rosatom, a fim de impedir sua entrada em nossos países irmãos", declarou.

O que é a Rosatom e por que ela é estratégica

A Rosatom é a estatal russa responsável por toda a cadeia da indústria nuclear, incluindo mineração de urânio, desenvolvimento tecnológico, construção de usinas e fornecimento de combustível nuclear. Trata-se de uma das maiores empresas do setor no mundo, com presença em diversos continentes.

Sua importância vai além da geração de energia. A empresa funciona como instrumento estratégico da política externa russa, ao estabelecer parcerias de longo prazo com países em desenvolvimento, oferecendo financiamento, tecnologia e infraestrutura. Esses acordos ampliam a presença geopolítica da Rússia e consolidam sua posição no mercado global de energia.

Críticas a missões da União Europeia e da OSCE

Shevtsov também criticou duramente missões internacionais, especialmente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e da União Europeia, classificando-as como ineficazes.

"A missão de monitoramento da OSCE se desacreditou completamente em Donbass. Por exemplo, vejam a observação da UE, ou, como eles chamam, missão civil: a julgar pelos relatos da mídia, eles não fizeram nada lá além de aproveitar a culinária armênia – que, aliás, é muito boa. Mas não sei dizer o que fizeram para garantir a segurança", disse.

Alerta para impacto global no preço dos alimentos

O dirigente russo também abordou os riscos associados à crise no Oriente Médio, especialmente a possibilidade de bloqueio do Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

"Com relação à crise no Oriente Médio e ao Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, segundo a Agência Internacional de Energia, se ele fosse fechado, cerca de 10% dos suprimentos de petróleo deixariam de chegar ao mercado. Isso levaria a uma escassez", afirmou.

De acordo com Shevtsov, a redução no fornecimento de energia teria efeitos diretos sobre a produção de fertilizantes, impactando a agricultura em um momento crítico.

"Tudo isso afeta também a produção de fertilizantes. A temporada de plantio está atualmente em andamento. Isso também terá impacto sobre a produção de alimentos", concluiu.

As declarações reforçam a leitura do governo russo de que disputas geopolíticas e energéticas estão diretamente ligadas à segurança alimentar global, em um cenário de crescente tensão internacional.

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