Decisão de Trump de elevar tarifa global para 15% provoca reação na Ásia
Nova taxa anunciada pelo presidente dos EUA tem vigência prevista para 150 dias a partir de terça-feira (24)
247 - Economias asiáticas que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos começaram a medir, no sábado (21), os efeitos das novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na sexta-feira (20), horas depois de a Suprema Corte invalidar parte das tarifas que haviam sido impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, Trump anunciou uma nova taxação global sobre importações. Inicialmente fixada em 10%, a alíquota foi elevada posteriormente para 15%, com vigência prevista para 150 dias a partir de terça-feira (24).
Segundo a CNN Brasil, a decisão do tribunal derrubou tarifas aplicadas a economias exportadoras da Ásia, entre elas China, Coreia do Sul, Japão e Taiwan. A China, que deve receber Trump no fim de março, ainda não se manifestou oficialmente nem anunciou medidas de resposta, em razão de um feriado prolongado. Em Hong Kong, território sob administração chinesa, a situação nos Estados Unidos foi classificada como "fiasco" por uma autoridade financeira de alto escalão.
No Japão, um porta-voz do governo afirmou que Tóquio "examinará cuidadosamente o conteúdo desta decisão e a resposta do governo Trump a ela, e responderá de forma adequada". Já o secretário de serviços financeiros e do Tesouro de Hong Kong, Christopher Hui, declarou que a nova tarifa imposta por Trump evidenciou as "vantagens comerciais únicas" da cidade.
"Isso mostra a estabilidade das políticas de Hong Kong e mostra aos investidores globais a importância da previsibilidade", afirmou Hui em coletiva de imprensa no sábado (21), ao ser questionado sobre os efeitos das medidas para a economia local. Hong Kong opera como território aduaneiro separado da China continental, o que reduziu sua exposição direta às tarifas estadunidenses direcionadas a produtos chineses.
Impacto varia conforme o nível de exposição às tarifas dos EUA
Antes da decisão da Suprema Corte, as medidas tarifárias adotadas por Trump haviam tensionado relações diplomáticas dos Estados Unidos com economias asiáticas integradas às cadeias de abastecimento voltadas ao mercado estadunidense. Segundo estimativa do monitor Global Trade Alert, a decisão judicial reduz quase pela metade a média ponderada das tarifas comerciais dos Estados Unidos, de 15,4% para 8,3%.
Para países sujeitos a níveis mais elevados de taxação, como China, Brasil e Índia, a redução é mais significativa, com quedas de dois dígitos, ainda que as tarifas permaneçam em patamar elevado. Em Taiwan, o governo informou que acompanha os desdobramentos e observou que Washington ainda não definiu como implementará plenamente os acordos comerciais firmados com diversos países.
"Embora o impacto inicial sobre Taiwan pareça limitado, o governo acompanhará de perto os desenvolvimentos e manterá uma comunicação estreita com os EUA para entender os detalhes específicos da implementação e responder de forma adequada", informou o gabinete em comunicado.
Taiwan firmou dois acordos recentes com os Estados Unidos, incluindo um Memorando de Entendimento no mês passado que prevê investimento de US$ 250 bilhões, além de um acordo assinado neste mês para reduzir tarifas recíprocas.


