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Desarmamento do Hezbollah avança no Líbano, e Israel mantém ataques

Pelo acordo de cessar-fogo, cabe ao Exército libanês desmontar a infraestrutura do Hezbollah e apreender armas não autorizadas

Esta foto, tirada em 30 de outubro de 2025, mostra o Exército libanês chegando à vila fronteiriça de Blida, no Líbano, após a retirada das tropas israelenses. (Foto: Ali Hashisho/Xinhua)

247 — As Forças Armadas do Líbano informaram na quinta-feira (8) que concluíram a “primeira fase” do envio de tropas ao sul do país, medida que o Exército do país descreveu, em comunicado, como uma “conquista concreta”. O Exército libanês afirmou que o plano para colocar as armas exclusivamente sob controle do Estado, retirando-as da posse do movimento militante xiita Hezbollah, entrou em uma nova etapa, especialmente nas áreas ao sul do rio Litani, informou a agência Xinhua.

As declarações surgem em meio ao aumento da pressão israelense, inclusive com ataques que violam o cessar-fogo entre os países. O próprio primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou como insuficiente as medidas adotadas para desarmar o Hezbollah.

Segundo os militares libaneses, a fase inicial concentrou-se na segurança de territórios evacuados pelas forças israelenses, embora alguns locais ainda permaneçam sob ocupação de Israel.

Mais cedo na quinta-feira, o bloco parlamentar Lealdade à Resistência, ligado ao Hezbollah, declarou em comunicado que o Líbano, incluindo o próprio Hezbollah, cumpriu seus compromissos, e instou o governo libanês a obrigar Israel a implementar suas obrigações previstas no cessar-fogo, começando por uma retirada total e incondicional e pelo fim dos ataques em curso, informou a Xinhua.

Enquanto isso, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou na quinta-feira que o país está mobilizando apoio internacional para pressionar Israel a se retirar dos cinco pontos ocupados, interromper os ataques em andamento e garantir o retorno de detidos libaneses.

Líderes do Hezbollah afirmaram repetidamente que não irão se desarmar completamente enquanto Israel ocupar qualquer território libanês, citando cinco posições estratégicas em colinas que ainda permanecem sob controle das forças israelenses. Segundo o grupo, suas armas continuam sendo um elemento necessário de dissuasão.

Apesar de um cessar-fogo entre o Hezbollah e Israel em vigor desde 27 de novembro de 2024, o Exército israelense tem realizado ataques ocasionais no Líbano, alegando que eles visam eliminar “ameaças” do Hezbollah. Pelo acordo de cessar-fogo, cabe ao Exército libanês desmontar a infraestrutura do Hezbollah e apreender armas não autorizadas. No fim de 2025, o governo do Líbano aprovou um roteiro em cinco fases com o objetivo de estabelecer o monopólio estatal sobre o uso de armas.

Israel ataca

Um integrante do Hezbollah foi morto na tarde de quinta-feira em um ataque aéreo israelense no distrito de Sidon, no sul do Líbano, informou a Agência Nacional de Notícias do país (NNA). O ataque teve como alvo um carro localizado entre o município de Zaita e a aldeia de Bnaafoul.

A Xinhua informou que o morto era membro do Hezbollah, mas as fontes não divulgaram a identidade da pessoa. O Exército de Israel confirmou o ataque aéreo em comunicado, afirmando que o alvo era um militante do Hezbollah e que a ação foi uma “resposta às contínuas violações do entendimento de cessar-fogo por parte do Hezbollah”.

Irã

Em visita ao Líbano nesta sexta-feira (9), o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, disse que Teerã apoia o Hezbollah como um grupo de resistência, sem interferir em seus assuntos internos, informou a Xinhua. Araghchi reafirmou o apoio do Irã à independência, à unidade e à soberania do Líbano, afirmando que a proteção do país é responsabilidade do governo libanês e que a união entre os diferentes grupos sectários sob a autoridade do Estado contribuiria para a preservação da estabilidade.

“O Irã apoia o Hezbollah como um grupo de resistência, mas não interfere de forma alguma em seus assuntos, e qualquer decisão relacionada ao Líbano é deixada ao próprio partido”, declarou Araghchi durante um encontro com o ministro das Relações Exteriores do Líbano, Youssef Rajji, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores libanês.

Por sua vez, Rajji reiterou o desejo do Líbano de manter relações sólidas com o Irã, mas expressou a expectativa de que o apoio iraniano seja direcionado ao Estado libanês e às suas instituições, e não a qualquer outro grupo. Segundo o chanceler libanês, a construção de um Estado capaz de defender seu território e seu povo não pode ser alcançada enquanto uma organização armada atuar fora da autoridade estatal.

Rajji também apelou para que Teerã trabalhe em conjunto com o Líbano na busca de uma nova abordagem em relação às armas do Hezbollah, a fim de evitar que a questão seja usada para enfraquecer o país ou qualquer uma de suas comunidades.

Antes, Araghchi reuniu-se com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, no Palácio de Baabda, onde Aoun afirmou que o Líbano está disposto a ampliar as relações econômicas e comerciais com o Irã de forma a atender aos interesses de ambos os povos.

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