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Dezenas de religiosos são presos em Minnesota durante protestos contra agressões do ICE

Greve e fechamento do comércio marcam manifestações contra abusos da política imigratória de Donald Trump

Protesto contra o ICE em Minnesota (Foto: REUTERS/Tim Evans)

247 - A sexta-feira (23) foi marcada por protestos, prisões e paralisações em Minnesota após o reforço das ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no estado. Dezenas de membros do clero foram presos enquanto participavam de uma manifestação no Aeroporto Internacional de Minneapolis–Saint Paul, em meio a um dia de mobilizações contra as violações de direitos humanos praticadas pela política imigratória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As informações são da agência Reuters

Os religiosos cantavam hinos e rezavam ajoelhados em uma via de acesso ao aeroporto quando foram presos pela polícia local. A ação fez parte de um dia nacional de protestos batizado de "ICE OUT!" (ICE FORA!), que incluiu fechamento de empresas, paralisações e marchas em diferentes cidades do estado.

Organizadores e participantes afirmaram que bares, restaurantes e lojas suspenderam atividades durante o dia, enquanto trabalhadores aderiram aos atos de rua, descritos como uma greve geral em protesto contra a presença ampliada de agentes federais de imigração nas chamadas Cidades Gêmeas, Minneapolis e Saint Paul.

Tensão e reivindicações

As mobilizações ocorreram após semanas de tensão entre agentes do ICE e manifestantes contrários ao endurecimento das operações federais. Integrantes do governo Trump haviam solicitado, nos dias anteriores, cooperação de líderes democratas locais para reduzir os conflitos registrados em manifestações anteriores.

Antes de um ato previsto para a tarde no centro de Minneapolis, centenas de pessoas seguiram para o aeroporto, apesar do frio intenso. De acordo com os organizadores, entre as principais reivindicações estava a responsabilização do agente do ICE que assassinou a tiros Renee Good, cidadã estadunidense, dentro de seu carro neste mês.

Prisões de religiosos

Policiais de diferentes departamentos ordenaram a desobstrução da via ocupada pelos manifestantes. Diante da recusa, dezenas de pessoas foram presas e algemadas com abraçadeiras plásticas, sem resistência, e levadas em ônibus. Os organizadores informaram que cerca de 100 membros do clero foram presos.

A organização Faith in Minnesota, que participou da articulação dos atos, afirmou que os religiosos também denunciaram a detenção de trabalhadores de aeroportos e companhias aéreas durante o expediente. O grupo cobrou que empresas do setor aéreo se posicionem e exijam o fim imediato da ampliação das operações do ICE no estado.

No centro de Minneapolis, trabalhadores participaram de uma marcha que, segundo os organizadores, representou a maior demonstração de oposição até agora à ofensiva federal. O prefeito Jacob Frey e outros líderes democratas compararam a atuação dos agentes a uma invasão.

Solidariedade e desafio ao frio

Miguel Hernandez, organizador comunitário que fechou a padaria Lito's Bakery durante o dia, relatou as dificuldades impostas pelo frio intenso. "Se fosse qualquer outro momento, ninguém teria saído", afirmou. "Para nós, é uma mensagem de solidariedade com a nossa comunidade e um recado aos políticos de que precisam ir além de discursos".

Reação do governo federal

O governo Trump justificou as ações em Minnesota, em parte, por alegações de fraude envolvendo membros da comunidade de origem somali no estado. O presidente classificou imigrantes somalis como "lixo" e declarou que eles devem ser removidos do país como parte de seu plano de ampliar deportações, incluindo solicitantes de asilo e residentes legais.

A resposta popular incluiu protestos contínuos, com uso de apitos e instrumentos musicais durante o dia e a noite. Houve troca de insultos entre agentes e manifestantes, além do uso de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral para dispersar multidões.

Autoridades de alto escalão viajaram a Minneapolis para defender o ICE. Em visita na quinta-feira, o vice-presidente JD Vance declarou que o governo está "fazendo tudo o que pode para baixar a temperatura".

Manifestantes desafiam condições climáticas

Patty O'Keefe, de 36 anos, funcionária de uma organização sem fins lucrativos, disse que decidiu participar da marcha apesar das condições climáticas. "Continuamos sob cerco do governo federal, e nossas formas habituais de protesto ainda não foram suficientes para enviar uma mensagem forte o bastante a Trump", afirmou.

Empresas da lista Fortune 500 sediadas em Minnesota evitaram se posicionar publicamente sobre as operações de imigração. A Target, com sede em Minneapolis, foi criticada por não comentar a presença do ICE em suas lojas. Parlamentares estaduais cobraram esclarecimentos sobre orientações dadas aos funcionários. Procurada, a empresa não comentou. 

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