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Minnesota protesta contra o ICE com dia de 'apagão econômico'

Greve simbólica convoca população a parar trabalho, aulas e consumo em reação a operações migratórias e à morte de uma mulher por agente federal

Manifestantes protestam contra o ICE em Minneapolis 20/01/2026 (Foto: REUTERS/Seth Herald)

247 - Líderes comunitários, representantes religiosos e sindicatos organizaram nesta sexta-feira (23) um amplo dia de paralisação econômica em Minnesota, com o lema “sem trabalho, sem escola, sem compras”, como forma de protesto contra a intensificação das operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no estado. Batizada de “Dia da Verdade e da Liberdade”, a mobilização busca chamar atenção para o impacto social das ações migratórias federais e ganhou apoio de dezenas de empresas locais, além do endosso do Conselho Municipal de Minneapolis, informa o The Guardian.

O protesto ocorre após a morte de Renee Good, mulher desarmada que foi baleada e morta por um agente federal de imigração em Minneapolis no início deste mês. Entre as principais reivindicações dos organizadores estão a retirada do ICE de Minnesota, a responsabilização legal do agente envolvido na morte, o fim de novos repasses federais à agência e a abertura de investigações sobre possíveis violações de direitos humanos e da Constituição dos Estados Unidos.

A paralisação conta com o apoio formal da Minnesota AFL-CIO, federação estadual que reúne mais de mil sindicatos filiados, além de diversas entidades trabalhistas locais. O dia de mobilização prevê o fechamento voluntário de estabelecimentos, interrupção de atividades educacionais e um ato central com marcha no centro de Minneapolis, marcada para as 14h, no horário local.

Mesmo sob condições climáticas extremas, os organizadores afirmam que a mobilização será mantida. “Vamos ter um clima perigosamente frio na sexta-feira — menos 10 graus Fahrenheit, com sensação térmica chegando a menos 20”, afirmou Chelsie Glaubitz Gabiou, presidente da Federação Regional do Trabalho de Minnesota (AFL-CIO). “Somos um estado do norte, estamos acostumados ao frio e vamos comparecer, mas as pessoas precisam prestar atenção não só na marcha, mas no que cada um está fazendo, nas histórias individuais de solidariedade que vão acontecer".

Para Kieran Knutson, presidente do sindicato Communications Workers of America (CWA) Local 7250, a paralisação reflete a falta de respostas institucionais às operações federais. “Acho que o que gerou a ideia dessa ação vem da necessidade de descobrir o que podemos fazer de forma significativa para impedir isso”, disse. “O governo do estado de Minnesota não ofereceu nenhum caminho para deter esses ataques, essa violência".

Entre os setores que aderiram ao apagão está o de cuidados infantis. Uma trabalhadora de uma creche em Minneapolis, que pediu anonimato por medo de retaliações contra as famílias imigrantes atendidas, explicou a decisão de fechar as portas no dia do protesto. “Tivemos tempo para perguntar às famílias que atendemos se elas concordariam com o fechamento e obtivemos uma resposta extremamente positiva”, relatou. “Atendemos famílias que recebem auxílio para creche e outras que pagam do próprio bolso. Todas concordaram, até mesmo aquelas que estavam tentando ir trabalhar mesmo com medo de sair de casa. Foram as famílias que se levantaram por isso também".

Em meio às mobilizações, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou ter realizado cerca de 3 mil prisões em Minnesota nas últimas seis semanas. Paralelamente, o Exército dos Estados Unidos colocou 1,5 mil soldados em estado de prontidão para uma eventual mobilização, enquanto outros 3 mil agentes de imigração foram enviados ao estado por determinação da administração de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos.

Em resposta ao protesto, um porta-voz do DHS criticou duramente a iniciativa. “Isso é além de insano. Por que esses líderes sindicais não querem essas ameaças à segurança pública fora de suas comunidades?”, disse em comunicado por e-mail. “Esses são os criminosos que esses líderes sindicais estão tentando proteger”, acrescentou, citando fotos de imigrantes sem status legal que teriam antecedentes criminais e foram presos pelo ICE.

Apesar dessas alegações, dados nacionais indicam que imigrantes sem qualquer histórico criminal continuam sendo o maior grupo detido pelo sistema de imigração dos Estados Unidos, que atualmente opera em níveis recordes de encarceramento.

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