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Diplomata russo diz que hegemonia dos EUA alimenta crises em série no mundo

Em entrevista à agência TASS, Sergey Ryabkov afirma que a política de força adotada por Washington aprofunda a instabilidade global

vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov  

247 – O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, afirmou que a política dos Estados Unidos está baseada no hegemonismo, na ideia de exclusividade e no uso da força, o que, segundo ele, ajuda a explicar a sucessão de crises internacionais. A declaração foi dada em entrevista à agência russa TASS, publicada nesta sexta-feira, 3 de abril.

Segundo a TASS, Ryabkov avaliou que a orientação atual de Washington está no centro de um cenário global cada vez mais conturbado. Na visão do diplomata, a insistência dos Estados Unidos em agir a partir de uma lógica de poder e imposição tem contribuído para o agravamento das tensões internacionais em um período já marcado por grandes desafios geopolíticos.

Em sua declaração, ele afirmou: “A ênfase na exclusividade, no hegemonismo e no uso da força é absoluta na política atual de Washington. Essa é uma das razões pelas quais o mundo é sacudido por uma crise após a outra, e pelas quais estamos atravessando um período tão difícil de desafios.”

A fala reforça a crítica recorrente de Moscou à atuação internacional dos Estados Unidos. Ao associar a política externa norte-americana à instabilidade global, Ryabkov sustenta que a ordem internacional vive um momento particularmente delicado em razão da tentativa de imposição de interesses estratégicos por meio da força, e não do respeito a princípios multilaterais.

O vice-chanceler russo também contrapôs essa postura ao que apresentou como a posição defendida pela Rússia. De acordo com ele, Moscou sustenta a primazia do direito internacional e o princípio da segurança indivisível, segundo o qual nenhum país deve fortalecer sua própria segurança às custas da segurança de outros.

Nas palavras de Ryabkov, “de nossa parte, defendemos a supremacia do direito internacional e o princípio fundamental da segurança indivisível, e conclamamos todos a partir do entendimento básico de que ninguém pode fortalecer sua segurança e resolver questões correlatas às custas da segurança dos outros.”

A referência à segurança indivisível ocupa lugar central no discurso diplomático russo e tem sido usada por Moscou para criticar arranjos estratégicos e militares que, segundo o Kremlin, desequilibram a estabilidade global. Ao retomar esse conceito, Ryabkov buscou apresentar a Rússia como defensora de uma arquitetura internacional baseada em equilíbrio, reciprocidade e limites ao unilateralismo.

A entrevista ocorre em um contexto de forte tensão entre grandes potências e de aprofundamento de conflitos em diferentes regiões do mundo. Nesse ambiente, a declaração do vice-ministro russo amplia o tom de confronto verbal entre Moscou e Washington e reafirma a narrativa russa de que a crise da ordem internacional está ligada à conduta agressiva dos Estados Unidos no cenário global.

Mais do que uma crítica pontual, a fala de Ryabkov expõe uma divergência estrutural sobre os rumos da segurança internacional. Para o diplomata russo, o mundo vive uma fase de instabilidade crescente porque uma potência insiste em se colocar acima das demais e em recorrer à força como instrumento de política externa, em detrimento das normas internacionais e da busca de soluções equilibradas entre os Estados.

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