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Diretor da PF vai aos EUA após expulsão de delegado

Andrei Rodrigues deve acompanhar Lula em agenda

Andrei Rodrigues Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (Foto: Andressa Anholete)

247 - O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem aos Estados Unidos para encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à crise causada pela detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem e pela expulsão de um delegado brasileiro. As informações são da CNN Brasil.

A agenda está prevista para quinta-feira (7), com embarque da comitiva brasileira na quarta-feira (6). A presença de Rodrigues ocorre em um momento de desgaste diplomático e policial entre Brasil e Estados Unidos, após uma sequência de medidas que envolveram agentes dos dois países.

No mês passado, os Estados Unidos expulsaram o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação junto ao ICE, a polícia de imigração norte-americana. Em resposta, o governo brasileiro aplicou o princípio da reciprocidade e expulsou um agente dos Estados Unidos que trabalhava na PF em Brasília.

Outro agente norte-americano também chegou a ter suas credenciais suspensas temporariamente, mas a autorização foi posteriormente restabelecida. O episódio ampliou o mal-estar entre os dois governos e passou a integrar o contexto político da viagem presidencial.

A crise teve início após a detenção de Alexandre Ramagem, na Flórida. Foragido da Justiça brasileira, o ex-deputado foi monitorado pela Polícia Federal, que comunicou ao ICE sua situação migratória irregular nos Estados Unidos.

Ramagem permaneceu detido por três dias e foi liberado porque possui um pedido de asilo político ainda em análise no país. Segundo a Polícia Federal, as autoridades norte-americanas não apresentaram explicações sobre a liberação do ex-deputado nem sobre a expulsão do delegado brasileiro de volta ao Brasil.

Além da tensão em torno do caso Ramagem, a ida de Andrei Rodrigues aos Estados Unidos ocorre em meio a debates internos no governo norte-americano sobre a possível classificação de facções brasileiras como grupos terroristas. A discussão envolve o PCC, Primeiro Comando da Capital, e o CV, Comando Vermelho.

Paraguai e Argentina já adotaram medida semelhante em relação a essas facções. Os Estados Unidos também já incluíram em sua lista de grupos terroristas organizações com conexões com o PCC no Brasil, como o Tren de Aragua, originário da Venezuela.

Para o Brasil, a eventual inclusão de organizações criminosas brasileiras nessa categoria pode gerar impactos sobre a soberania nacional e abrir espaço para sanções contra empresas de diferentes setores.

Apesar da relevância desses temas no contexto da visita à Casa Branca, fontes da Polícia Federal afirmam que a definição das pautas caberá aos dois presidentes, Lula e Trump.

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