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Dois palestinos são assassinados na Cisjordânia em ataque de colonos e soldados israelenses

Ministério da Saúde palestino informou que as vítimas tinham 14 e 32 anos

Pessoas reagem enquanto os corpos de dois palestinos, mortos durante um ataque de colonos israelenses, são transportados em um hospital em Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 21 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Mohammed Torokman)

247 - Dois palestinos, entre eles um adolescente de 14 anos, foram assassinados na Cisjordânia ocupada por Israel nesta terça-feira (21), após colonos e soldados israelenses abrirem fogo, segundo testemunhas. Em paralelo, na Faixa de Gaza, autoridades de saúde informaram a morte de outras duas pessoas em agressões promovidas pelo Estado sionista. As informações são da agência Reuters.

A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino afirmou que duas pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas após disparos de colonos israelenses na vila de al-Mughayyir, próxima a Ramallah. O Ministério da Saúde palestino informou que as vítimas tinham 14 e 32 anos.

De acordo com o chefe do conselho local, Amin Abu Ulaya, colonos e soldados teriam entrado na vila e atirado contra uma escola, inicialmente contra estudantes e depois contra outras pessoas que chegaram ao local.

O Exército de Israel declarou que suas forças foram enviadas à região após relatos de lançamento de pedras contra um veículo israelense que transportava civis e um soldado da reserva. Segundo a versão militar, o soldado teria saído do carro e aberto fogo contra "suspeitos" na área.

Ainda segundo o Exército, os militares atuaram para dispersar o que classificaram como um confronto violento e informaram que o caso está sob investigação. As forças também disseram estar cientes das alegações de mortes de dois palestinos e feridos.

Abu Ulaya afirmou que "isso levou à morte de um estudante e de outra pessoa", descrevendo cenas de pânico na vila, com pais correndo até a escola em busca de seus filhos.

O episódio em al-Mughayyir, localizada a cerca de 25 quilômetros ao norte de Ramallah, ocorre em meio a denúncias de organizações de direitos humanos sobre o aumento da violência contra palestinos por colonos e forças israelenses.

Um morador da região, Kathem Al-Haj-Ahmed, de 57 anos, disse que os colonos teriam chegado primeiro e atacado a escola. Ele afirmou ainda que palestinos na Cisjordânia são frequentemente alvo de ataques não provocados.

"Esta é a nossa realidade na vila de al-Mughayyir; eles querem nos deslocar, e tanto o exército quanto os colonos trocam de papéis entre si", declarou.

Autoridades israelenses já condenaram atos de "manifestantes judeus" na Cisjordânia, mas afirmam que uma minoria extremista estaria envolvida na violência. Ao mesmo tempo, integrantes do governo defendem os colonos e apoiam a ampliação dos assentamentos.

Os assentamentos israelenses na Cisjordânia são considerados ilegais pelas Nações Unidas e pela maioria dos países. Palestinos defendem que o território integre um futuro Estado independente.

A expansão dos assentamentos aumentou sob o atual governo israelense de direita, com cerca de 700 mil colonos judeus vivendo na região, entre aproximadamente 2,7 milhões de palestinos.

Faixa de Gaza

Na Faixa de Gaza, autoridades de saúde informaram nesta terça-feira (21) que pelo menos dois palestinos foram mortos por forças israelenses.

Segundo médicos, uma mulher foi morta por disparos de uma embarcação naval israelense na área de Beit Lahiya, no norte de Gaza. O Exército israelense afirmou não ter conhecimento do caso.

Em outro episódio, um homem morreu em um ataque aéreo israelense na região leste de Khan Younis, no sul do território. Um porta-voz militar afirmou que as forças atingiram "terroristas" na área e que mais informações seriam divulgadas posteriormente. Outros três palestinos também teriam morrido na mesma região durante a noite.

Na Cidade de Gaza e Khan Younis, familiares participaram de cerimônias de despedida das vítimas, cujos corpos estavam envoltos em mortalhas brancas. Mulheres choravam enquanto homens realizavam orações antes dos enterros.

As mortes ocorrem em meio à continuidade da violência apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e firmado em outubro do ano passado, após dois anos de genocídio em larga escala promovido por Israel contra o povo palestino.

Segundo autoridades locais, mais de 750 palestinos foram mortos desde o início do cessar-fogo, enquanto Israel afirma que quatro de seus soldados foram mortos por militantes.

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