Em mais uma violação do cessar-fogo, Israel bombardeia subúrbio de Beirute
Bombardeio foi o primeiro na capital libanesa desde o cessar-fogo
247 - Israel bombardeou o subúrbio de Ghobeiri, ao sul de Beirute, em uma operação que, segundo o governo israelense, teve como alvo Malek Balou, comandante da Força Radwan do Hezbollah. O bombardeio em Ghobeiri foi o primeiro na capital desde o cessar-fogo firmado em 17 de abril, e reacendeu a tensão em uma área da capital libanesa que vinha registrando uma calma cautelosa.
De acordo com a Al Jazeera e a Agência Nacional de Notícias do Líbano, aviões de guerra israelenses lançaram um ataque contra Ghobeiri, nos subúrbios do sul da capital. A agência relatou uma forte explosão e grandes danos na região atingida.
Netanyahu confirma ataque
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou a operação e afirmou que ele e o ministro da Defesa, Israel Katz, deram a ordem para que o exército realizasse o ataque. Segundo Netanyahu, o alvo fazia parte da Força Radwan, unidade do Hezbollah, supostamente responsável por atirar contra assentamentos israelenses e ferir soldados [do exército israelense].
Netanyahu também afirmou que Israel manterá suas ações militares sob o argumento de proteger a região norte do país.
O bombardeio marcou o primeiro ataque à zona sul de Beirute, área predominantemente xiita, desde a entrada em vigor do cessar-fogo na guerra de Israel contra o Líbano, em 17 de abril.
Obaida Hitto, correspondente da Al Jazeera em Tiro, afirmou que o ataque noturno ocorreu em um momento de relativa tranquilidade nos subúrbios do sul da capital libanesa. “Revela-se uma calma cautelosa desde o início do cessar-fogo, e este é o primeiro ataque aos subúrbios do sul da capital desde 9 de abril”, disse ele.
Segundo Hitto, havia um entendimento informal de que Beirute não seria alvo durante a vigência da trégua, embora Israel mantivesse a posição de que poderia atacar locais considerados ameaça à sua segurança. “Havia um acordo tácito de que Beirute não seria alvo de ataques durante esse cessar-fogo, enquanto Israel reservava-se o direito de atacar quaisquer outros locais que, segundo eles, representassem uma ameaça à segurança nacional”, afirmou.
O correspondente relatou ainda que muitos moradores haviam retornado aos subúrbios do sul de Beirute após o início do cessar-fogo. Vídeos citados pela Al Jazeera mostraram ruas movimentadas na região antes do ataque.
Tensão se amplia no Líbano
Apesar do cessar-fogo, as forças israelenses continuaram realizando ataques no sul e no leste do Líbano. Na quarta-feira, ao menos 13 pessoas morreram em ações israelenses, segundo as informações fornecidas.
No Vale do Bekaa, no leste libanês, um ataque israelense matou quatro pessoas. O exército israelense afirmou também ter atingido alvos do Hezbollah no sul do país, depois de alertar moradores de cerca de uma dúzia de cidades para que deixassem suas casas.
O Hezbollah, por sua vez, reivindicou diversas operações contra forças israelenses no sul do Líbano, além de ataques no norte de Israel. O cenário mantém elevada a instabilidade na fronteira e amplia as dúvidas sobre a sustentação do cessar-fogo.
Desde 2 de março, os ataques israelenses no Líbano mataram mais de 2.700 pessoas, incluindo dezenas após o cessar-fogo de 17 de abril, intermediado por Washington entre representantes israelenses e libaneses. Os militares israelenses afirmam ter perdido 17 soldados e um contratado civil nos combates.


