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Cessar-fogo com Israel é frágil e impede avanço diplomático, diz ministro do Líbano

Ghassan Salamé descarta possibilidade de encontro entre Aoun e Netanyahu em meio às agressões israelenses

Um prédio danificado, escombros e um veículo destruído após ataques israelenses, nas proximidades do Hospital Hiram em Tiro, no sul do Líbano, 16 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Louisa Gouliamaki/Foto de arquivo)

247 - O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé, afirmou que o cessar-fogo firmado com Israel desde 17 de abril não está sendo plenamente cumprido e classificou a trégua como incompleta. Ele indicou que a continuidade das hostilidades inviabiliza, neste momento, qualquer encontro entre as autoridades dos dois países. As informações são da RFI.

Sobre a possibilidade de diálogo direto entre os países, o ministro descartou um encontro entre o presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. "É impossível, nessa situação, imaginar um encontro desse tipo", disse. Ele acrescentou que reuniões desse nível dependem de avanços concretos, o que não ocorre no cenário atual, marcado por ocupação territorial, ataques contínuos e a existência de prisioneiros libaneses em Israel.

Salamé resumiu a situação ao afirmar: "É um meio cessar-fogo". De acordo com ele, houve redução de ataques aéreos em regiões como Beirute e o vale do Bekaa, mas os bombardeios seguem frequentes no sul do território libanês. O ministro relatou que a violência na região sul permanece intensa, com destruição de vilarejos e deslocamento de milhares de pessoas.

"Nos últimos dois meses, tivemos praticamente 3 mil mortos e cerca de 7 mil feridos. Houve uma leve redução após a decisão do cessar-fogo, mas apenas em Beirute. No sul, os números não caíram de forma significativa", disse.

Zona de tensão no sul

Salamé afirmou que Israel estabeleceu uma área de demarcação chamada "linha amarela", criando uma zona tampão com cerca de 12 quilômetros de profundidade no sul do Líbano. Segundo ele, a medida resultou na retirada de populações inteiras, com danos a escolas, edifícios públicos, templos e residências, o que impede o retorno dos moradores no curto prazo.

O ministro também alertou para a ampliação recente dos ataques, que passaram a atingir áreas ao norte do rio Litani, alcançando localidades a até 40 quilômetros da fronteira.

Crimes de guerra

Ao ser questionado sobre a possibilidade de crimes de guerra, Salamé afirmou: "Não tenho nenhuma dúvida". Ele disse que os bombardeios israelenses atingem áreas civis e que a maioria das vítimas não tem ligação com grupos armados.

"Há militantes do Hezbollah entre os mortos, mas eles são minoria. A maioria é de civis. Crianças e mulheres têm chegado aos hospitais de Beirute", declarou. O ministro acrescentou que nem sempre há aviso prévio antes dos ataques, apesar de alegações nesse sentido por parte de Israel.

Posição do Hezbollah

Também nesta segunda-feira (4), o líder do Hezbollah, Naim Qasem, criticou as agressões israelenses mesmo após o anúncio da trégua. Em discurso transmitido pela emissora Al Manar, ele afirmou que "não há cessar-fogo no Líbano, mas sim uma contínua agressão israelense-americana".

Qasem disse que Israel segue realizando bombardeios, demolindo construções e impedindo o retorno de moradores às suas casas. Ele reiterou a posição do grupo contra negociações diretas com Israel, defendendo apenas "negociações indiretas". Segundo o dirigente, "o Líbano é vítima de agressão e precisa de garantias de segurança e soberania por parte de Israel".

Impasse político e militar

Em relação ao desarmamento do Hezbollah, Salamé afirmou que o grupo resiste à medida por considerar que as Forças Armadas libanesas não possuem capacidade suficiente para garantir a segurança do país. "Sem dúvida, a guerra retardou ainda mais esse processo", disse.

O ministro também mencionou discussões sobre o futuro da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, cujo mandato termina em 31 de dezembro. Segundo ele, o governo negocia com a ONU e países europeus, especialmente a França, a possibilidade de uma nova missão internacional para monitorar a fronteira. "O Líbano ainda precisa de uma presença internacional para evitar novas deteriorações da segurança", afirmou.

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