Em Washington, ministros repercutem reunião produtiva entre Lula e Trump
Após encontro na Casa Branca, auxiliares de Lula destacam avanços em comércio, segurança, investimentos e minerais críticos
247 - Ministros do governo Lula classificaram como produtiva a reunião de cerca de três horas entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, nesta quinta-feira (7). O encontro tratou de comércio bilateral, tarifas, cooperação contra o crime organizado, investimentos e minerais críticos. As informações são da entrevista coletiva concedida pela comitiva brasileira após a reunião, transmitida pelo YouTube.
Segundo o chanceler Mauro Vieira, a conversa ocorreu em clima “muito positivo” e “muito amistoso”. A reunião começou no escritório presidencial e prosseguiu em um almoço ampliado com integrantes dos dois governos. De acordo com o ministro, os presidentes extrapolaram o tempo previsto e definiram missões específicas para as áreas envolvidas nas negociações.
“Foi uma reunião muito produtiva em que os presidentes estabeleceram inclusive missões para cada uma das áreas”, afirmou Vieira.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que a pauta comercial avançou. Ele relatou que o Brasil voltou a contestar a investigação da seção 301 e as sobretarifas aplicadas a produtos brasileiros. Segundo o ministro, ficou acertado que representantes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, do Itamaraty e do MDIC voltarão a negociar nas próximas semanas.
“Nós ficamos de nos reunirmos nos próximos 30 dias para avaliarmos ou chegarmos a uma conclusão, na nossa expectativa, uma conclusão que leve também ao encerramento da seção 301”, declarou.
Márcio Elias Rosa afirmou ainda que o governo brasileiro apresentou dados para sustentar a posição de que não cabem sobretarifas contra o Brasil. Para ele, o objetivo é recuperar uma relação comercial mais dinâmica com os Estados Unidos.
“O ideal é que os Estados Unidos voltem a ser um parceiro dinâmico, crescente, que as importações e exportações voltem a subir e não cair, como aconteceu no ano passado”, disse.
Na área de segurança pública, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, avaliou que o encontro foi “extraordinário”. Ele afirmou que Lula tratou cuidadosamente a pauta de combate ao crime organizado e propôs a criação de grupos de trabalho para cooperação interna e internacional.
“O presidente Trump, com extrema deferência, ouviu, discutiu com toda a sua equipe atenciosamente”, afirmou Lewandowski.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, destacou a cooperação entre as aduanas brasileira e norte-americana. Segundo ele, a troca de informações prévias sobre contêineres permitiu apreensões de armas e equipamentos irregulares enviados dos Estados Unidos ao Brasil.
Durigan afirmou que, entre maio de 2025 e abril de 2026, mais de meia tonelada de armas e equipamentos irregulares foram apreendidos no Brasil graças à parceria entre os dois países. Ele também disse que mais de uma tonelada de drogas sintéticas enviadas dos Estados Unidos ao Brasil foi identificada no mesmo período.
“Qual é o próximo passo nessa cooperação entre as aduanas? É poder fazer operação conjunta do lado brasileiro, a Receita com a polícia, com Coaf, e do lado norte-americano envolvendo várias autoridades”, disse.
Na frente financeira, Durigan mencionou a Operação Carbono Oculto e afirmou que informações sobre fraudes tributárias e estruturas de lavagem de dinheiro foram compartilhadas com o IRS, a Receita Federal dos Estados Unidos. Segundo ele, há esforços para acelerar mecanismos de devolução de recursos ao Brasil.
“Tanto na parte aduaneira quanto na parte de lavagem de dinheiro, estamos muito próximos de avançar e com novas assinaturas”, afirmou.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a discussão sobre minerais críticos e terras raras. Segundo ele, Lula apresentou o marco regulatório aprovado no Congresso Nacional como sinal de estabilidade para receber investimentos estrangeiros, inclusive dos Estados Unidos.
Silveira afirmou que o Brasil busca desenvolver internamente etapas como separação, refino, manufatura e industrialização, para gerar emprego, renda e divisas no país. O ministro disse que o Brasil oferece segurança jurídica e potencial mineral relevante para investidores.
“O Brasil é solo fértil para investimentos pela sua segurança jurídica, pelas suas potencialidades, mas é solo fértil também porque é mais barato investir e refinar os materiais no Brasil, gerando riqueza, gerando renda, gerando emprego e gerando principalmente divisas para o país”, declarou.
Após as manifestações dos ministros, Lula afirmou que saiu da reunião com a percepção de que Brasil e Estados Unidos deram um passo importante na consolidação de uma relação democrática e histórica. O presidente disse que os dois países devem ampliar o diálogo sem abrir mão da soberania nacional.
“Nós não temos veto, não tem assunto proibido. A única coisa que nós não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, afirmou Lula.
Lula também demonstrou otimismo sobre a negociação comercial. Questionado sobre o risco de novas tarifas contra o Brasil, ele respondeu que a divergência entre os dois governos será tratada por equipes técnicas no prazo de 30 dias.
“Olha para a minha fisionomia. Você acha que eu estou otimista ou pessimista? Eu estou muito otimista”, disse.
O presidente afirmou que quer ver os Estados Unidos retomarem maior presença econômica no Brasil, inclusive em investimentos de infraestrutura e transição energética. Segundo Lula, o país está aberto a parcerias com Washington, assim como com outras potências, desde que respeitada a soberania brasileira.
“O Brasil está disposto a construir parcerias onde eles quiserem construir. Parcerias não têm veto aos Estados Unidos, como não têm veto à China, como não têm veto à França, como não têm veto à Índia, como não têm veto à Alemanha”, afirmou.


