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Lula diz que não discutiu com Trump classificação de facções como organizações terroristas

Presidente rejeitou foco em ações militares, mas defendeu cooperação internacional contra o crime organizado

Presidente Lula durante eencontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, Washington. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7) que o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas deve priorizar alternativas econômicas e cooperação internacional, em vez da instalação de bases militares em outros países. A declaração foi dada após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington.

Durante coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil, Lula afirmou que apresentou a Trump uma visão diferente sobre o enfrentamento do narcotráfico, baseada em desenvolvimento econômico e responsabilidade compartilhada entre os países.

Lula defende alternativa econômica para combater narcotráfico

Ao comentar a conversa com Trump, Lula criticou modelos históricos de combate às drogas que priorizam ações militares sem atacar as causas sociais e econômicas do problema.

“Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece alternativa de outro produto para que alguém possa plantar a ganhar dinheiro? E nós temos que incentivar o plantio de outra coisa e sermos os compradores para que as pessoas possam sobreviver. Enquanto houver gente necessitada de recursos e consumidores, não vamos parar de ter o mundo cheio de droga por tudo quanto é lado”, afirmou.

Segundo o presidente, enquanto houver pobreza, exclusão social e mercado consumidor, o tráfico continuará avançando em diversas regiões do planeta.

Brasil propõe cooperação internacional contra o crime

Lula também revelou que não discutiu com Donald Trump a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos, hipótese levantada recentemente em setores do governo norte-americano.

“Não discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump, partindo dele falar de alguma facção no Brasil”, declarou.

O presidente afirmou ainda que o Brasil está disposto a colaborar na criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, reunindo países da América do Sul, da América Latina e outras nações interessadas em uma ação coordenada.

“Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado”, disse Lula. Na avaliação de Lula, o enfrentamento ao tráfico de drogas e armas precisa ocorrer de forma conjunta, sem hegemonia de um país sobre os demais.

Lula cita armas e lavagem de dinheiro ligadas aos EUA

Durante a coletiva, Lula destacou a experiência brasileira no combate ao crime organizado, citando o trabalho da Polícia Federal e operações contra o tráfico de drogas e armas.

O presidente também afirmou que parte das armas que circulam no Brasil tem origem nos Estados Unidos, além de mencionar esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo estados dos EUA. “Se a gente souber disso e colocar a verdade em torno da mesa, pode resolver em décadas o que não se resolveu em séculos”, disse.

Segundo Lula, um esforço multinacional baseado em transparência, cooperação e responsabilidade compartilhada pode produzir resultados mais rápidos e eficazes do que as estratégias adotadas até agora no combate ao narcotráfico internacional.

Plano nacional de combate ao crime organizado

Lula confirmou ainda que o governo federal lançará, a partir da próxima semana, um novo plano nacional de combate ao crime organizado. Segundo ele, as ações terão investimento de R$ 960 milhões ainda em 2026 e devem focar especialmente no enfraquecimento financeiro das facções criminosas.

“A partir da semana que vem, vamos lançar um plano de combate ao crime organizado que é para valer. Vamos fazer algumas frentes, uma delas é a questão financeira. Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”, afirmou o presidente.

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