Empresário bolsonarista suspeito de financiar atos do 8/1 é preso pelo ICE nos EUA
Investigado como líder de acampamento em Belo Horizonte, Esdras nega envolvimento direto nas invasões em Brasília
247 - O empresário Esdras Jônatas dos Santos foi preso nos Estados Unidos por agentes do serviço de imigração (ICE), após ser apontado em investigações como suspeito de financiar e organizar mobilizações relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
De acordo com reportagem do portal UOL, ele não participou diretamente das invasões em Brasília, mas acompanhou, ainda em Belo Horizonte, a saída de ao menos um ônibus com manifestantes. Dois dias depois, na madrugada de terça-feira (10), embarcou com a esposa para os Estados Unidos com passagens apenas de ida, compradas poucas horas antes da viagem. A Polícia Federal sustenta que houve fuga, versão contestada pelo investigado.
Em sua defesa, Esdras afirma que entrou em um dos ônibus apenas para rezar pelos participantes e que não tinha conhecimento de qualquer plano de invasão. “Eu jamais imaginaria que pessoas iam para Brasília para entrar dentro do Palácio [do Planalto]”, declarou. Segundo ele, o deslocamento tinha como finalidade “somente para conhecer” o quartel-general do Exército na capital federal.
As investigações indicam que o empresário teria atuado como um dos principais organizadores do acampamento montado em frente ao 4º Comando do Exército, em Belo Horizonte. Conforme o inquérito, ele frequentava o local com regularidade, gravava vídeos e incentivava apoiadores a participar das manifestações que culminaram nos atos de domingo (8).
A prisão ocorreu após denúncias encaminhadas por um advogado que representa outros investigados. Ele informou autoridades norte-americanas sobre o caso e pretende comunicar que o empresário possui mandado de prisão em aberto no Brasil. “Essa denúncia foi para que não concedam o asilo político pra ele”, afirmou. “É apenas um foragido da Justiça brasileira e não existe perseguição política contra ele.”
O advogado também avalia que a situação de Esdras difere da de outros envolvidos. “Denunciei ele em razão de seu suposto envolvimento em atos antidemocráticos graves, agressões e da existência de mandado de prisão no Brasil. [...] Suspeito que ele tinha informações privilegiadas, diferentemente da ampla maioria que foi presa e condenada”, declarou.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o papel das denúncias na prisão, e a defesa do empresário não foi localizada.


