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Esperanças de fim rápido da guerra contra Irã diminuem após discurso de Trump

Fala do presidente dos EUA eleva tensão no Oriente Médio e faz preços do petróleo voltarem a subir

Donald Trump (Foto: Reuters)

247 - As perspectivas de um desfecho rápido para a guerra envolvendo o Irã se deterioraram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicar uma escalada militar iminente, provocando reação negativa nos mercados e forte alta nos preços do petróleo. A fala também ampliou incertezas sobre a estabilidade energética global e o impacto econômico do conflito.

Segundo a agência Reuters, investidores reagiram com cautela ao discurso do presidente norte-americano, que não apresentou um cronograma claro para o fim das operações militares e reforçou a possibilidade de intensificação dos ataques nas próximas semanas.

Em pronunciamento na noite de quarta-feira (1º), Trump afirmou: "Posso afirmar esta noite que estamos no caminho certo para concluir todos os objetivos militares dos Estados Unidos em breve, muito em breve". Em seguida, elevou o tom ao declarar: "Vamos atacá-los com muita força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem".

A sinalização de novos ataques afetou diretamente os mercados globais. O petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 5%, atingindo US$ 106,16 por barril, enquanto bolsas ao redor do mundo registraram quedas. Índices futuros dos Estados Unidos recuaram 1%, e mercados europeus e asiáticos também operaram em baixa.

A volatilidade foi destacada por Russel Chesler, chefe de investimentos da Vaneck Australia, que avaliou: "Se ele (Trump) estava tentando inspirar confiança nos mercados, não conseguiu. A principal questão na mente dos investidores é 'quando isso vai acabar?', e é isso que está criando a volatilidade".

A guerra, iniciada após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, já deixou milhares de mortos no Oriente Médio e desencadeou uma série de retaliações, incluindo ofensivas iranianas contra Israel, bases norte-americanas e países do Golfo, além da abertura de uma nova frente no Líbano.

Um dos principais fatores de tensão é o bloqueio quase total do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota estratégica responsável por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito. A interrupção elevou os custos energéticos e aumentou a pressão sobre a economia mundial.

Apesar do impacto, Trump afirmou que os Estados Unidos não dependem do estreito e cobrou ação de aliados: "Muitos americanos têm se preocupado com o recente aumento dos preços da gasolina aqui em casa". Ele atribuiu a alta ao que chamou de ataques do Irã: "Esse aumento de curto prazo foi inteiramente resultado do regime iraniano lançar ataques terroristas insanos contra petroleiros comerciais de países vizinhos que nada têm a ver com o conflito".

O presidente também afirmou que o Irã foi "essencialmente dizimado" e declarou: "A parte difícil já foi feita, então deve ser fácil".

Enquanto isso, organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Agência Internacional de Energia alertaram que a guerra já provoca efeitos globais "substanciais e altamente assimétricos", indicando a possibilidade de ações coordenadas para mitigar impactos econômicos.

Do lado iraniano, uma fonte de alto escalão afirmou à Reuters que Teerã exige um cessar-fogo garantido para interromper suas ações militares e negou qualquer negociação intermediada para uma trégua temporária. O país também rejeitou alegações de que teria solicitado um cessar-fogo.

Em paralelo, iniciativas diplomáticas seguem sem avanços concretos. Autoridades do Paquistão, que atuam como mediadoras, indicaram que uma proposta de cessar-fogo temporário foi apresentada, mas ainda não houve resposta das partes envolvidas.

O cenário permanece indefinido, com risco de ampliação do conflito e impactos diretos sobre o fornecimento global de energia, enquanto os mercados seguem atentos à evolução das tensões no Oriente Médio.

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