'Os EUA vão terminar o trabalho logo', afirma Trump ao dizer que guerra contra o Irã está perto do fim
Em pronunciamento na TV, o presidente estadunidense prometeu encerrar o conflito em duas ou três semanas
247 - O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um pronunciamento em rede de televisão nesta quarta-feira (1º) para anunciar que os objetivos militares estadunidenses na guerra contra o Irã estão próximos de ser alcançados. As declarações marcaram um dos discursos mais assertivos de Trump desde o início do conflito, há cerca de um mês. O presidente prometeu encerrar as operações militares em breve e exaltou o desempenho das Forças Armadas dos EUA no campo de batalha.
"Nós vamos terminar o trabalho, e vamos terminar logo", afirmou Trump durante o pronunciamento. "Nós vamos atingi-los fortemente nas próximas duas ou três semanas", acrescentou, sinalizando que a fase mais intensa do conflito ainda está em curso, mas com prazo definido para o encerramento.
Trump dedicou parte do discurso a exaltar o desempenho militar americano desde o início da guerra. "Nessas últimas quatro semanas, nossas Forças Armadas conquistaram vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha — vitórias como poucas pessoas já viram antes", declarou o presidente, traçando um panorama de superioridade militar dos EUA sobre as forças iranianas.
O presidente listou os danos causados ao aparato militar do Irã ao longo das semanas de conflito. "A Marinha do Irã foi dizimada. Sua Força Aérea está em ruínas. Seus líderes, a maioria deles integrantes do regime terrorista que comandavam, estão agora mortos. Nunca na história das guerras um inimigo sofreu derrotas tão grandes em pouco tempo", afirmou Trump, em discurso de tom vitorioso.
O presidente também abordou a alta nos preços do petróleo e da gasolina nos Estados Unidos, tema sensível para sua popularidade interna. Trump classificou o aumento como um fenômeno de curto prazo e buscou minimizar a dependência americana do petróleo do Oriente Médio. "Agora somos totalmente independentes do Oriente Médio, e ainda assim, estamos lá para ajudar. Não precisamos. Não precisamos do petróleo deles, não precisamos de nada, eles têm tudo, estamos lá para ajudar nossos aliados", disse o presidente.
A fala sobre a independência energética americana serve como argumento político para justificar a continuidade do conflito mesmo diante do impacto nos preços dos combustíveis — um dos fatores que mais pressionam a aprovação popular de qualquer governo nos Estados Unidos.
Entenda
A guerra eclodiu em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã sob a alegação de que Teerã desenvolvia armamento nuclear. A Organização das Nações Unidas contestou a justificativa americana, declarando não existir provas concretas de que o governo iraniano tenha produzido bombas nucleares.
Os conflitos ultrapassaram os limites dos campos de batalha e atingiram a infraestrutura tecnológica global. O Financial Times revelou nesta quarta-feira (1º), com base em fonte próxima ao assunto, que um ataque iraniano atingiu e danificou a infraestrutura de computação em nuvem da Amazon no Bahrein. Era a segunda vez em menos de um mês que as operações da Amazon Web Services no país sofriam interrupção — sinal de que a guerra no Oriente Médio deixou de se restringir aos campos de batalha e passou a impactar diretamente a infraestrutura tecnológica em escala global.
A guerra extrapolou as fronteiras iranianas. Israel passou a bombardear o Líbano, com o Hezbollah como alvo central das operações militares. O Catar, que sedia a maior base aérea dos EUA na região, também sofreu ataques iranianos: Teerã danificou duas instalações de produção de gás natural e forçou Doha a paralisar temporariamente sua produção. Forças iranianas atacaram ainda bases militares americanas em Omã, enquanto Bahrein, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia, Azerbaijão, Chipre e Emirados Árabes Unidos acabaram absorvidos pela escalada do conflito.
Diante da expansão das hostilidades, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, esclareceu quem são os alvos de Teerã. A mídia estatal iraniana registrou sua declaração: o Irã trava uma disputa direta com Washington, não com as nações do Golfo Pérsico. Os Estados Unidos mantêm ao menos oito aliados formais na região — Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria —, enquanto o Irã sustenta parcerias estratégicas com o Paquistão, o Hezbollah libanês e grupos armados no Iêmen.


