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Esquerda lidera debate digital sobre show de Bad Bunny

Pesquisa aponta predominância de perfis progressistas e 87% de menções positivas após apresentação no Super Bowl

Bad Bunny (Foto: Reuters)

247 - O show do cantor porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, principal evento esportivo dos Estados Unidos, provocou forte repercussão nas redes sociais brasileiras entre sexta-feira (7) e segunda-feira (10). O levantamento aponta que o artista concentrou volume de menções superior ao dedicado a nomes centrais da política nacional e internacional no mesmo período.

A informação foi divulgada pela revista Veja, com base em pesquisa do Instituto Democracia em Xeque. Segundo o estudo, as citações ao cantor superaram, somadas, as referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

De acordo com o instituto, perfis identificados como de esquerda responderam por mais de 1 milhão de interações relacionadas ao espetáculo. Já os perfis classificados como de direita registraram cerca de 73 mil interações. O levantamento também indica que 87% das publicações analisadas apresentaram sentimento positivo em relação ao show e à postura adotada pelo artista.

A apresentação ganhou projeção internacional após o cantor incluir críticas diretas à política anti-imigração do governo norte-americano e à atuação das forças do ICE, agência responsável por ações contra imigrantes em situação irregular e, segundo relatos, também contra cidadãos dos Estados Unidos.

Para o coordenador do Instituto Democracia em Xeque, Alexsander Chiodi, o engajamento teve forte componente simbólico. “A esquerda interpretou o show como uma festa de pertencimento latino-americano, misturando a cultura pop, a identidade brasileira e uma noção ampliada do que significa ser ‘América’ em um palco que é o símbolo do patriotismo norte-americano. Esse enquadramento dialogou com pautas já ativadas no debate nacional ao longo de 2025, como soberania e patriotismo, que apareceram tanto no contexto do tarifaço quanto nas comemorações do 7 de setembro. O espetáculo foi lido como continuidade desse repertório, agora projetado em escala continental”, afirmou.

Chiodi também avaliou a reação do campo conservador nas redes. “A direita teve presença muito discreta e fragmentada. O baixo volume de interações não indica que a direita perdeu o interesse no que acontece nos EUA, mas que ela tem dificuldade de reagir a um evento enquadrado como orgulho latino que foi acolhido de forma tão positiva pela esquerda e pelo público em geral”, concluiu.

O estudo evidencia como manifestações culturais de alcance global podem repercutir intensamente no debate político brasileiro, sobretudo quando associadas a temas como identidade latino-americana, soberania e imigração.

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