Estreito de Ormuz enfrenta colapso e tráfego cai de 130 navios por dia para 221 em um mês
A maioria das embarcações tinha o Irã como destino principal. Os Emirados Árabes Unidos e a China aparecem na sequência das rotas mais frequentes
247 - Apenas 221 embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz entre 1º de março e 3 de abril, segundo dados da empresa de análise Kpler compilados pela agência AFP. O número revela a dimensão do impacto da guerra sobre a principal rota marítima de energia do planeta: antes do conflito, entre 130 e 140 navios transitavam pelo estreito diariamente. No período analisado, as 221 embarcações realizaram 240 travessias, transportando quase 8,5 milhões de toneladas de petróleo, gás e outros produtos.
A maioria das embarcações tinha o Irã como destino principal. Os Emirados Árabes Unidos e a China aparecem na sequência das rotas mais frequentes, respondendo por 20% e 15% das travessias, respectivamente. Índia, Arábia Saudita, Omã, Brasil e Iraque completam os destinos mais recorrentes no período.
Das 118 travessias realizadas com carga, 37 transportavam óleo bruto — sete desses petroleiros partiram da Arábia Saudita. O Brasil também marcou presença no tráfego pelo estreito: junto com a Argentina, o país enviou seis navios carregados com grãos ao Irã, totalizando 382 mil toneladas de soja e milho entregues ao mercado iraniano durante o período de bloqueio.
Guerra e a importância do estreito
A drástica redução no tráfego pelo Estreito de Ormuz representa uma das consequências mais graves da guerra que eclodiu em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã sob a alegação de que Teerã desenvolvia armamento nuclear.
A Organização das Nações Unidas contestou a justificativa americana e declarou não existir provas concretas de que o governo iraniano tenha produzido bombas nucleares. Desde o início do conflito, o barril de petróleo ultrapassou a marca dos US$ 100.
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao restante do mundo e ocupa posição central no sistema energético global. Antes da guerra, cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no planeta transitava por ali, além de uma quinta parte dos embarques de gás natural liquefeito e um terço do fertilizante mais utilizado no mundo.
Com a passagem parcialmente interditada, grandes produtores da Opep — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — perderam acesso às rotas que abastecem mercados na Ásia, Europa e Américas, com impacto direto sobre os preços de energia e alimentos em escala global.


