Fechamento do Estreito de Ormuz pode durar meses, diz analista iraniano
Professor da Universidade de Teerã afirma à Al Jazeera que bloqueio pode ser usado como resposta econômica à guerra
247 - O possível fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, surge como um dos elementos mais sensíveis da atual guerra no Oriente Médio.
A medida poderia provocar impactos profundos no mercado global de energia e no comércio internacional.Segundo informações divulgadas pela Al Jazeera, o analista político Foad Izadi, professor da Faculdade de Estudos Mundiais da Universidade de Teerã, afirmou que o bloqueio da passagem marítima pode se tornar uma das principais ferramentas de pressão de Teerã no conflito.
Rota estratégica
O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais críticos da logística energética global. Aproximadamente 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo passa pela estreita passagem localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Qualquer interrupção no fluxo de navios-tanque nessa região pode afetar diretamente o fornecimento internacional de petróleo e provocar forte volatilidade nos preços da commodity.
Fechamento pode durar “muitos meses”
De acordo com Izadi, o bloqueio do estreito pode se prolongar por um período significativo caso o conflito continue.
“O Estreito de Ormuz ficará fechado por muitos, muitos meses, a menos que essa parte financeira da história seja resolvida”, afirmou o professor à Al Jazeera.
Resposta aos prejuízos econômicos da guerra
O analista argumenta que o Irã sofreu perdas econômicas expressivas desde o início da escalada militar. Segundo ele, os danos financeiros acumulados nas últimas semanas seriam um dos fatores por trás da possível decisão de bloquear a passagem estratégica.
“O Irã sofreu bilhões de dólares nos últimos 12 dias… eles precisam ser compensados”, declarou.
Governo iraniano prioriza segurança territorial
Para Izadi, a prioridade do governo iraniano neste momento é preservar a integridade territorial do país e interromper os ataques que, segundo ele, vêm ocorrendo periodicamente.
“O Irã não está procurando popularidade”, afirmou o analista.Ele acrescentou que o governo busca garantir que “as fronteiras iranianas permaneçam intactas e que os ataques ao Irã a cada poucos meses por israelenses e americanos parem”.
Pressão geopolítica no Oriente Médio
Izadi também defendeu que o país não pode operar normalmente sob ataques recorrentes.
“O Irã não pode funcionar enfrentando dois regimes nucleares atacando a cada poucos meses”, disse.
Segundo ele, o bloqueio do Estreito de Ormuz poderia funcionar como forma de compensação econômica e pressão geopolítica no contexto da guerra.
Mudança de regime considerada improvável
Ao comentar cenários políticos levantados por analistas internacionais, Izadi rejeitou a hipótese de mudança de governo em Teerã como consequência da guerra.
“Mudar o governo do Irã é uma fantasia”, afirmou.
As declarações refletem a crescente preocupação internacional com o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, um cenário que poderia ampliar ainda mais os impactos globais do conflito em andamento no Oriente Médio.


