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Franceses vão às urnas em cenário político dividido

Eleições municipais refletem cenário para a disputa presidencial de 2027

Franceses vão às urnas em cenário político dividido (Foto: REUTERS/Benoit Tessier)

247 - Os eleitores franceses voltaram às urnas neste domingo (22) para o segundo turno das eleições municipais, em um cenário marcado por incertezas e disputas acirradas nas principais cidades do país. A votação ocorre em pouco mais de 1.500 municípios, sobretudo em grandes centros urbanos, após o primeiro turno realizado no último dia 15 de março. As informações são da RFI.

O pleito evidencia uma reconfiguração das forças políticas no país, com a esquerda dividida, a direita sob pressão e a extrema direita em expansão. As seções eleitorais abriram às 8h e devem fechar entre 18h e 20h, com os primeiros resultados previstos para a noite deste domingo.

Alianças e rearranjos marcam o segundo turno

A etapa decisiva das eleições foi precedida por intensas negociações políticas. Candidaturas que superaram 10% dos votos no primeiro turno permaneceram na disputa, mas alianças, desistências e fusões entre listas alteraram significativamente o cenário eleitoral.

A redistribuição de votos entre os blocos políticos é observada como um indicativo dos rumos da política francesa a um ano das eleições presidenciais de 2027. A esquerda, apesar de fragmentada no plano nacional, busca composições locais. Já a direita tradicional tenta resistir ao crescimento da extrema direita, que amplia sua presença em diversas regiões.

Disputa indefinida em Paris

Na capital francesa, a eleição se mantém imprevisível. A candidata de direita e ex-ministra da Cultura, Rachida Dati, enfrenta o socialista Emmanuel Grégoire, que liderou o primeiro turno. A permanência da candidata da esquerda radical, Sophia Chikirou, transformou a disputa em uma eleição triangular, ampliando a incerteza sobre o resultado.

Marselha e alianças estratégicas

Em Marselha, o prefeito Benoît Payan, da esquerda, entra na disputa com vantagem após receber apoio de setores da esquerda radical. Seu principal adversário é Franck Allisio, do Reunião Nacional, que havia registrado desempenho próximo no primeiro turno.

Em outras cidades, como Nantes, socialistas firmaram alianças com a esquerda radical para conter o avanço da direita. Em Toulouse, acordos semelhantes foram estabelecidos, apesar de divergências entre os grupos políticos.

Lyon e Nice concentram disputas decisivas

A cidade de Lyon apresenta uma das disputas mais equilibradas do país. O prefeito ecologista Gregory Doucet aparece em empate técnico com Jean-Michel Aulas, candidato identificado com a direita.

Em Nice, o cenário também chama atenção. O aliado da extrema direita Éric Ciotti surge como favorito, reforçando a estratégia de aproximação entre setores da direita tradicional e o Reunião Nacional.

Avanço da extrema direita

O Reunião Nacional, que se consolidou como principal força política nas eleições legislativas de 2024, busca ampliar sua presença no nível municipal. O partido concentra esforços em cidades como Toulon, Nîmes e Carcassonne, além de manter controle sobre localidades já conquistadas, como Perpignan.

A estratégia de união entre diferentes correntes da direita, defendida por lideranças como Jordan Bardella, evidencia uma reorganização do campo conservador francês.

Eleições influenciam cenário nacional

O resultado do segundo turno municipal também tem impacto direto no cenário político nacional. O ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, por exemplo, depende de sua reeleição em Le Havre para fortalecer uma eventual candidatura presidencial em 2027.

O pleito municipal, portanto, ultrapassa a esfera local e se consolida como um indicativo dos novos equilíbrios políticos na França em um contexto de crescente polarização.

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