Israel intensifica ataques ao Irã e amplia crise energética global
Guerra dos EUA e Israel contra o Irã se agrava, atinge infraestrutura de gás e eleva riscos para mercados de energia
247 - Israel realizou novos ataques contra Teerã nesta sexta-feira (20), ampliando a escalada militar no Oriente Médio e aprofundando uma crise que já impacta diretamente o setor energético global.
As informações foram divulgadas pela agência Reuters, que relata que os ataques fazem parte de uma nova fase da guerra iniciada em 28 de fevereiro, quando forças dos Estados Unidos e de Israel lançaram operações conjuntas contra o Irã. Desde então, a guerra já provocou milhares de mortes e se expandiu para países vizinhos.
Segundo o Exército israelense, os bombardeios infraestrutura iraniana na capital Teerã. Não foram divulgados detalhes adicionais sobre os alvos atingidos. Ao mesmo tempo, países do Golfo, como Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, informaram que enfrentaram ataques com mísseis, elevando ainda mais o risco de uma escalada regional.
A intensificação do conflito ocorre após uma série de ofensivas iranianas contra instalações energéticas estratégicas. Entre os alvos, está a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar, responsável por cerca de um quinto da produção mundial de gás natural liquefeito (GNL). Os danos foram significativos e devem levar anos para serem reparados, afetando profundamente o fornecimento global.
A crise também atingiu rotas comerciais vitais. Um importante porto saudita no Mar Vermelho foi alvo de ataques, enquanto cresce a ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Diante desse cenário, países ocidentais e o Japão sinalizaram disposição para garantir a segurança da navegação na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que havia orientado Israel a não repetir ataques contra a infraestrutura energética iraniana. “Eu disse a ele: ‘Não faça isso’, e ele não fará isso”, declarou Trump a jornalistas na Casa Branca. Posteriormente, o governo israelense afirmou que o ataque ao campo de gás South Pars foi realizado de forma independente.
A ofensiva contra instalações energéticas evidenciou a capacidade do Irã de responder com impacto significativo, mesmo diante da campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel. Analistas apontam que o conflito expõe fragilidades nos sistemas de defesa aérea da região e amplia os riscos para ativos estratégicos no Golfo.
A divergência entre Washington e Tel Aviv também ficou evidente. A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, afirmou que “o governo israelense tem se concentrado em desabilitar a liderança iraniana”, enquanto os objetivos do presidente norte-americano incluem destruir a capacidade de lançamento e produção de mísseis balísticos e a força naval iraniana.
Do lado iraniano, a resposta foi direta. O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari declarou que os ataques à infraestrutura energética do país representam “uma nova etapa na guerra”. Ele alertou: “Se os ataques (às instalações energéticas do Irã) acontecerem novamente, novos ataques à sua infraestrutura energética e à de seus aliados não vão parar até que sejam completamente destruídas”.
Mesmo sob pressão militar, autoridades iranianas afirmam que a produção de mísseis segue ativa e em alto nível, sem prejuízos significativos à capacidade industrial do país.
Enquanto isso, aliados dos Estados Unidos na Europa demonstram resistência em se envolver diretamente no conflito. Em declaração conjunta, países como Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Holanda e Japão indicaram disposição para apoiar a segurança do tráfego marítimo, mas evitaram qualquer compromisso militar direto. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que não há apoio europeu para ampliar a guerra: “Não ouvi ninguém aqui expressar vontade de entrar nesse conflito — muito pelo contrário”.
Sem perspectiva de cessar-fogo e com riscos crescentes de choque global no petróleo, o conflito no Oriente Médio entra em uma fase ainda mais crítica, com impactos diretos na economia mundial e na estabilidade geopolítica da região.


