Netanyahu diz que Israel não arrastou os EUA para a guerra com o Irã
Premier israelense rejeita que Tel Aviv tenha puxado Washington para o confronto que já matou mais de 2 mil pessoas
247 - O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu saiu a público para rebater a narrativa de que Israel teria conduzido os Estados Unidos ao confronto militar com o Irã. Em coletiva de imprensa, o premiê foi direto ao descartar qualquer possibilidade de que o governo estadunidense tenha sido pressionado ou manipulado a entrar no conflito.
"Alguém realmente acredita que alguém pode dizer ao presidente Trump o que fazer?", questionou Netanyahu, em referência ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O premiê acrescentou que o conflito vai "durar o tempo que for necessário", sinalizando que Israel não cogita recuar diante da escalada das tensões na região.
A guerra teve início em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra o Irã sob a justificativa de que Teerã estaria avançando no desenvolvimento de armamentos nucleares. A alegação, no entanto, foi contestada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que afirmou não ter encontrado evidências de que o país persa tivesse a intenção de produzir uma bomba nuclear. Desde o início das hostilidades, mais de 2 mil pessoas perderam a vida no Irã e em países vizinhos da região.
O Irã, por sua vez, não ficou passivo diante das investidas militares. Nesta quinta-feira (19), um ataque atribuído a Teerã provocou um incêndio de grandes proporções na principal refinaria de petróleo de Israel, localizada na cidade de Haifa.
Em outro front, forças iranianas atacaram instalações energéticas do Catar, comprometendo severamente a produção de gás natural liquefeito (GNL) do país. O impacto eliminou cerca de 17% das exportações catarenses, gerando perdas estimadas em US$ 20 bilhões anuais e lançando incertezas sobre o abastecimento de mercados estratégicos na Europa e na Ásia.
Diante da intensificação das operações, os Estados Unidos avaliam ampliar sua presença militar no Oriente Médio. Segundo informações publicadas na quarta-feira (18) pela agência Reuters, o Pentágono já teria aprovado o deslocamento de até 5 mil soldados adicionais para a região, além do reforço da presença naval, como parte de uma estratégia para responder às ações iranianas e garantir capacidade de reação rápida em caso de nova escalada.
Um dos desdobramentos mais impactantes do conflito para a economia global foi o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. A rota, localizada entre o Irã e Omã, é fundamental para países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait. Seu bloqueio representa um golpe direto nas cadeias de abastecimento energético internacional.
O nome de Netanyahu já carrega um histórico jurídico de peso no cenário internacional. Em novembro de 2024, o Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra o premier israelense e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, além de lideranças do Hamas, com base em acusações de crimes de guerra. Tanto Israel quanto o Hamas rejeitam as imputações.
Israel também enfrenta um processo na Corte Internacional de Justiça (CIJ), aberto pela África do Sul em dezembro de 2023, que acusa Israel de violar a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio em suas operações na Faixa de Gaza. Em janeiro de 2024, a CIJ ordenou que Israel adotasse medidas para prevenir o genocídio e garantisse o fluxo de ajuda humanitária ao enclave palestino, sem, contudo, determinar a interrupção imediata da ofensiva. O Brasil está entre os países que manifestaram apoio ao processo sul-africano.


